ANIMISMO NA UMBANDA

A Umbanda é animista?

O termo Animismo foi criado para descrever as crenças dos “povos primitivos que acreditavam na vida e na força de todos os elementos da natureza. Todas as coisas estão conscientes e reagem. Antropólogos e cientistas dizem ser a raiz das religiões e dos deuses.

A utilização na Umbanda dos otás nos assentamentos, pedras, búzios, cristais, pemba ou qualquer outro objeto magístico podem apontar a resposta. Se há energia intrínseca nestes elementos, estes possuem ânimo, logo, podem ser manipulados dentro de ritualísticas próprias no contexto religioso.  O animismo é usado na antropologia da religião como um termo para o sistema de crenças, embora de forma velada.

No contexto religioso africano o animismo é explícito nas Potências Divinas, os Orixás, nos frutos, objetos sagrados e ervas onde invoca-se o “espírito” do remédio para que anule o “espírito” da doença. Este “espírito” benéfico é parte do ânimo positivo da erva, advertindo que a ritualística também pode extrair da mesma erva o ânimo negativo popularizado como feitiço. O fenômeno animista é metafísico, pois, são elucidados a partir de abstrações com a força da natureza.

Dizia o genial alemão Goethe que há entre o céu e a terra mistérios que a nossa vã filosofia ignora. De certa forma, exprimiu ele o que era do conhecimento dos sábios e sacerdotes antigos. A Natureza esconde bem os seus segredos e apenas os iniciados conseguem a explicação sobrenatural de fatos surpreendentes.

É o caso das pedras-vivas, que parecem contrariar as leis naturais. Entre elas, destaca-se a pedra de Sevá, que é encontrada na fronteira entre o Brasil e o Peru.

Pesada como chumbo, a pedra de Sevá se alimenta de ouro e prata. Não dissolve nenhum outro metal. Encontrada em épocas não tão distantes em lojas de artigos religiosos, as populares casas de Umbanda, diziam arrepiar-se toda quando, ao lhe oferecer ouro ou prata, as pessoas faziam o seu pedido. Outra particularidade é que a pedra de Sevá se reproduz, dando origem a outra semelhante e morre, caindo-lhe os “cabelos”, como se fosse um ser humano.

Por todas essas qualidades excepcionais, a pedra de Sevá era zelosamente escondida de olhares indiscretos ou profanos. Dava muita felicidade aos que a possuíam, mas deveria ser bem tratada, sob pena de acarretar calamidades.

Em tempos remotos ou na atualidade, certo é que a Umbanda a exemplo de todas as demais religiões, utiliza-se da energia do que à primeira vista denominamos de inanimado.

Silnei Aparecido Farkas é teólogo formado pela Pontifícia Faculdade de Teologia NSA Assunção de São Paulo, médium na T.U.Pai Oxalá, Caboclo Lírio Branco e Pai Joaquim de Angola e cursa regularmente a formação sacerdotal ministrada na FUCESP.

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