OXUMARÉ - O ARCO ÍRIS

 

A dualidade que existe em tudo.

 

"Talvez a divindade mais poética e exótica do panteão, Metade do ano vive no céu como um belo arco-íris, metade outra na terra como uma cobra rastejante, assim é Oxumaré que representa a dualidade que existe em tudo, os pólos positivo e negativo. Também tem grande poder sobre as riquezas materiais".

 

 

 

  • Dia da semana:

Quinta-feira.

  • Saudação:

Aro Bobô

  • Cores:

Todas as cores do arco íris.

  • Símbolos:

Arco íris.

  • Onde recebe as oferendas:

Na floresta, de preferência próximo a água doce, nascentes.

  • Principais oferendas:

Flores de todas as cores juntas.

  • Bebida:

Água

  • Elemento:

Terra.

  • Animais:

Cobra.

  • Comida:

Batata e batata doce.

  • Domínio:

Geração de vida.

  • O que faz:

É o Orixá da abundância e da fertilidade.

ALGUNS ITÃS

Xangô se casou com Oxum e descobriram que sua comunicação não andava bem, pois Xangô morava no alto da pedreira, quase no céu, já Oxum tinha seu palácio nas profundezas do rio. Para solucionar este problema, Xangô pediu a Oxumaré que ligasse a água do rio de Oxum até ele no céu, foi quando Oxumaré se tornou o arco-íris.

Existe um detalhe: para que não acontecesse uma seca na terra, Oxumaré resolveu fazer este favor a Xangô apenas durante seis meses do ano, para que nos outros seis meses, enquanto Oxumaré assumia a forma de serpente, Xangô tivesse que descer até a terra, trazendo assim as fortes chuvas, tempestades e trovões de raiva.

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Oxumaré viveu entre os humanos e era um grande Babalaô, adivinhava de tudo e prestava serviços ao rei, um rei muito rico e ao mesmo tempo muito avarento, recompensando muito mal Oxumaré pelos seus préstimos e previsões. Foi quando Oxumaré procurou Ifá, pois queria descobrir uma forma de ganhar mais dinheiro. Ifá declarou que se Oxumaré fizesse-lhe uma oferenda o tornaria muito rico e assim foi Oxumaré fazer o ritual.

Enquanto Oxumaré realizava o ritual do ebó, o rei precisou dele e não o encontrou, decretando assim que ele estaria despedido. Oxumaré quase desacreditou de seu mestre Ifá, pois passava mais aperto do que antes do ebó.

Foi aí que uma rainha de outra corte ficou sabendo da disponibilidade de Oxumaré, e como sua fama de bom Babalaô corria por aquelas bandas, ela o chamou para tentar resolver problemas até então indissolúveis.

Oxumaré resolveu as perturbações da rainha, foi muito bem recompensado por ela e até o rei que o despedira resolveu voltar a se utilizar de suas previsões, só que agora melhor remuneradas.

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Textos extraídos do livro
"CARMA - AQUILO QUE DEIXAMOS DE FAZER"
Todos os direitos reservados - all rights reserved

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Oxumaré é um Orixá bastante cultuado no Brasil, apesar de existirem muitas confusões a respeito dele, principalmente nos sincretismos e nos cultos mais afastados do Candomblé tradicional africano como a Umbanda. A confusão começa a partir do próprio nome, já que parte dele também é igual ao nome do Orixá feminino Oxum, a senhora da água doce. Oxumaré é uma das diferentes formas e tipos de Oxum, mas na Umbanda e no Candomblé tradicional tal associação é absolutamente rejeitada. São divindades distintas, inclusive quanto aos cultos e a origem. Apesar de muitos Babalorixás não aceitarem, tem seu sincretismo católico como São Bartolomeu.
É representado pelo arco-íris que, segundo algumas lendas é a ponte que possibilita que as águas de Oxum sejam levadas ao castelo no céu de Xangô. Por essa lenda, é atribuído a Oxumaré o poder de regular as chuvas e as secas, já que, enquanto o arco-íris brilha, não pode chover. Ao mesmo tempo, a própria existência do arco-íris é a água está sendo levada para os céus em forma de vapor, onde então se aglutinará em forma de nuvem, passará por nova transformação química recuperando o estado líquido e voltará á terra sob essa forma, recomeçando tudo de novo: a evaporação da água, novas nuvens, novas chuvas, etc.
Uma interpretação antropológica mais cuidadosa, porém, pode questionar a validade dessas lendas. Não podemos nos esquecer de que tanto na África, como especialmente no Brasil, a população negra, que trazia consigo, todos esses mitos, foi continuamente assediada pela colonização branca. Uma das formas mais utilizadas por jesuítas para convencer os negros, era a repressão física, mas para alguns, não bastava o medo de apanhar. Eles queriam a crença verdadeira e, para isso, tentaram explicar e codificar a religião do Orixás segundo pontos de vista cristãos, adaptando divindades, introduzindo a noção de que os Orixás, seriam santos como os da Igreja Católica, etc. Essa busca objetiva do sincretismo sem dúvida foi esbarrar em Oxumaré e na cobra - e não há animal mais peçonhento, perigoso e pecador do que ela na mitologia católica (recordar os mitos de Adão e Eva, a maçã, a concepção de pecado original, etc.). Por isso, não seria difícil para um jesuíta que acreditasse sinceramente nos símbolos de sua visão teológica. Reconhecer na cobra mais um sinal da presença dos símbolos católicos na religião do Orixás e nele reconhecer uma figura que só poderia trazer o mal. Essa, pelo menos, é uma das interpretações feitas por pesquisadores que compararam diferentes versões dos mesmos mitos que não encontraram uma divisão absoluta entre bem / arco-íris (ou masculino) e mal / cobra (ou feminino). Na verdade, o que se pode abstrair de contradições como as que apresentam Oxumaré é que este é o Orixá do movimento, da ação, da eterna transformação, do contínuo oscilar entre um caminho e outro que norteia a vida humana. É o Orixá da tese e da antítese. Por isso, seu domínio se estende a todos os movimentos regulares, que não podem parar, como a alternância entre chuva e bom tempo, dia e noite, positivo e negativo.
Conta-se sobre ele que, como cobra, pode ser bastante agressivo e violento, o que o leva a morder a própria cauda. Isso gera um movimento moto-contínuo ,pois, enquanto não largar o próprio rabo, não parará de girar, sem controle. Esse movimento representa a rotação da Terra, seu translado em torno do Sol, sempre repetitivo. Todos os movimentos dos planetas e astros do universo, regulados pela força da gravidade e por princípios que fazem esses processos parecerem imutáveis, eternos, ou pelo menos muito duradouros se comparados com o tempo de vida médio da criatura humana sobre a terra, não só em termos de espécie, mas principalmente em termos da existência de uma só pessoa. Se essa ação terminasse de repente, o universo como o entendemos deixaria de existir, sendo substituído imediatamente pelo caos. Esse mesmo conceito justifica um preceito tradicional , que diz que : É necessário alimentar e cuidar de Oxumaré muito bem pois, se ele perder suas forças e morrer, a consequência será nada menos que o fim da vida no mundo.
Enquanto o arco-íris traz a boa notícia do fim da tempestade, da volta do sol, da possibilidade de movimentação livre e confortável, a cobra é particularmente perigosa para uma civilização das selvas, já que ela está em seu hábitat característico, podendo realizar rápidas incertas.
Outra fonte de indefinição a respeito do Orixá vem das contradições existentes em suas lendas no Brasil e na própria África: Oxumaré é uma divindade originária da cultura do Daomé, região centro-norte da África. Há séculos tal civilização foi dominada pelos iorubas, povo mais primitivo no sentido de organização social e visão religiosa, mas, em compensação, mais poderoso em termos de organização militar. Como aconteceu com Roma e Grécia, a dominação de uma sociedade menos rica em produções culturais ou no terreno da superestrutura em geral fizeram com que os mitos dos daomeanos não fossem apenas reprimidos, pelo contrário, os iorubas não tentaram impor sua cultura ao povo dominado. Ficaram na verdade impressionados com sua cosmologia e tentaram assimilá-la, principalmente nas figuras que não fossem formas semelhantes a divindades que também possuíssem. Oxumaré foi um desses casos. O princípio da dualidade dos iorubas fazia parte dos Orixás-crianças (Ibeji) - A dualidade que eles representam, porém, é mais próxima do comportamento contraditório e irresponsável em termos ético das crianças, ainda não reprimidas pela codificação social. Já a dualidade de Oxumaré é mais abrangente e até mesmo metafísica, pois representa os ciclos que não estão ao alcance do ser humano.
Oxumaré, Iroco, Omolu, Obaluaê e Nanã, os Orixás do Daomé mais conhecidos e cultuados, castigam quando dispostos ou provocados, mas raramente se arrependem e não possuem as falhas humanas, visíveis e humanizadas das figura do panteão ioruba.

CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OXUMARÉ

Como é comum a todas as divindades originárias do Daomé (cultura JeJê) é relativamente difícil estabelecer um arquétipo específico de comportamento associado ao Orixá, já que ele é misterioso e cheio de sombras e mitos. Os filhos de Oxumaré são bem mais difíceis de serem reconhecidos que os guerreiros filhos de Iansã, os calmos e sábios filhos de Oxalá e os maternais e familiares filhos de Iemanjá, por exemplo. Mesmo assim, algumas características básicas podem ser listadas. Há, porém, divergências em relação as suas características. Oxumaré pode ser associado à riqueza: Oxumaré é o arquétipo das pessoas que desejam ser ricas; das pessoas pacientes e perseverantes nos seus empreendimentos e que não medem sacrifícios para atingir seus objetivos. Eles costumam possuir o dom da vidência. Quando vivia na terra, Oxumaré previa tudo, adivinhava o que ia acontecer, a tal ponto que não era mais possível viver. Os deuses então decidiram mantê-lo afastado dos homens, pois a clarividência total acaba transformando-se em maldição. A Seu pedido, Oxumaré obteve a autorização de descer na terra de três em três anos.
Oxumaré está associado ao misterioso, a tudo que implica o conceito de determinação além dos poderes dos homens, do destino, enfim: É o senhor de tudo o que é alongado.
Assim, ao arquétipo de comportamento associado a figura desse Orixá complexo está a tendência a renovação, a compulsividade, a mudança. Seus filhos estão entre aquelas pessoas que, de tempos em tempos, mudam tudo em sua vida: mudam de casa, de amigos, de emprego, como se ciclos se sucedessem sempre, obrigatoriamente, exigindo e provocando rompimento com o passado e iniciando diuturnamente a busca de um novo equilíbrio que deverá persistir até num novo momento de ruptura, desintegração e substituição. Mutabilidade, reinício é seu princípio básico, aproximando-o dos mitos ocidentais referentes ao planeta Plutão, o astro da morte, da destruição, da revolução como forma de renascimento e ressurreição.
Também são apontados nos filhos de Oxumaré certos traços de orgulho e de ostentação, algo que os aproxima do clichê do novo-rico, exibicionista, quando surge um grave problema para alguém de sua amizade, e que precisa efetivamente da sua ajuda.
A androginia do Orixá, por vezes é estendida a seus filhos. Estes, segundo algumas correntes, seriam bissexuais em potencial, mas essa interpretação não é aceita universalmente.
Fisicamente, os filhos de Oxumaré tendem a se movimentar extremamente leve, pouco levantando os pés do chão. Têm em comum com a cobra a facilidade em serem silenciosos, armarem seus botes na vida sem que as pessoas em torno se apercebam disso e só atacando seus inimigos quando têm plena certeza da vitória, que a vítima está encurralada num território que não é o seu.

 

 

 

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