Umbandalogia - Cosme e Damião, os anárgiros.

21/09/2015 16:43

O que realmente festejamos na Umbanda no dia 27 de setembro?

Não há dúvidas que a incorporação da festa em homenagem a Cosme e Damião pela Umbanda remonta a festa litúrgica da Igreja Católica votiva aos Santos e devidamente sincretizada, mas, ainda incompreendida pelos filhos de pemba.

Sincretizar é agrupar elementos distintos de concepções diferentes para combiná-los e desta forma fez a Umbanda ainda nas senzalas com o Orixá Ibeji apenas pela semelhança de serem gêmeos. Ibéjì é uma palavra iorubá formada a partir de ìbí (parir) e ejì (dois), significa parir dois ou gestação dupla, indicando o nascimento de gêmeos. O primeiro gêmeo (ibeji) nascido se chama Táíwò – nasce com a luz; já ao segundo gerado se dá o nome de kéhìndè – sobrevive para unir; a terceira criança que chega ao mundo depois do nascimento de gêmeos é ìdowu – tem prazer em unir; a quarta criança nascida é alabá – aquela que recebe e aceita os sonhos e visões. Uma característica marcante em relação às representações de Cosme e Damião na Umbanda é que junto aos dois santos católicos aparece uma criancinha vestida igual a eles. Essa criança é chamada de Doúm, que personifica as crianças com até sete (7) anos, sendo ele o protetor das crianças nessa faixa de idade. Controvérsia esta versão quando por analogia o Doúm umbandista sincretizado apenas pela religião tradicional africana é considerado como "aquele que não veio”.

O Orixá Ibeji protege contra a morte prematura, acalma o sofrimento material e espiritual, orienta o ori do abiku (seres que vivem desafiando a vida) e dos devotos a seguir o caminho certo, atrai progresso econômico e desenvolvimento espiritual, harmoniza a vida material com a espiritual, proporciona sentimentos de paz, tranquilidade, serenidade, confiança, fertilidade, transforma lágrimas em sorrisos. É associado à duplicidade – entre o existir e o não existir, o fazer e o não fazer. É sedutor, capaz de atrair condições para conquistas, domina recursos para promover cura e bem-estar e interfere no destino humano removendo obstáculos da vida das pessoas. Não há ritual de iniciação em Ibeji, nem assentamento, nem incorporação nesse Orixá.

 

Ibeji é muito confundido com os erês, que na verdade são espíritos intermediários, mensageiros.

Os gêmeos Acta e Passio (denominados Cosme e Damião no Martirológio) nasceram na Arábia em data imprecisa, morreram por volta de 303 d.c já adultos na Síria e tinham outros três irmãos. Cosme e Damião eram médicos que curavam os enfermos não só com seu saber, mas através de milagres propiciados por suas orações.

Livre de qualquer vaidade ou preconceito, a Umbanda celebra em Cosme e Damião, as virtudes dos Santos católicos sincretizados, do Orixá africano e dos erês seus mensageiros na linha de Yori com brincadeiras, doces e o caruru.

Que neste corrente ano, ao celebrarmos Cosme e Damião, nossa egrégora esteja focada no sofrimento de todas as crianças refugiadas das nações que desumanamente cerceiam a elas a alegria, a inocência e a esperança de renovação, virtudes divinizadas pelos anárgiros, a saber, aqueles que a exemplo das virtudes não são comprados.

 

Silnei Aparecido Farkas é teólogo formado pela Pontifícia Faculdade de Teologia NSA Assunção de São Paulo, médium e cursa regularmente a formação sacerdotal ministrada na FUCESP.

FUCESP – Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo 2015

 

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