UMBANDALOGIA - ANCESTRALIDADE X EGÚN

19/11/2015 12:02

Diversas são as dificuldades conceituais, semânticas e até exegéticas na Umbanda quando o assunto discorre sobre ancestralidade e egún, aliás,  não há uma ponte sapiencial histórica que faça tal ligação em nenhuma religião afro-brasileira. Remete-se a egún uma identidade espiritual falsa de “morto ainda em solo”, “morto que ronda”, morto que atrapalha”, entre outras concepções totalmente equivocada.

Trazer à tona este assunto é contextualiza-lo na Egrégora Umbandista que deve se preocupar sim em formatar sua Cosmogonia, Teogonia, Teologia e demais tratados através de estudos sistemáticos da memória ancestral para irradiar energia mítica e sagrada aos dias atuais.

A Umbanda é comumente confirmada sincrética, inclusive, com as raízes africanas, logo, este tema tem a obrigação de ser vez por todas esclarecido.

O Egún se entende um ancestral em particular, um antepassado já-ido, habitante do Orun, que pode se manifestar no Aiye, e que pode não ser venerável a compor uma comunidade ancestral mítica, mas, inegavelmente, contribui com valores de mundo que marcarão cada indivíduo do seu clã ou família hoje e no futuro. Esta é a concepção Africana de Egún e de vários outros povos que cultuam seus antepassados.

Os ancestrais são integrantes do mundo invisível, orientam e sustentam os avanços coletivos da comunidade.

Meu orientador espiritual de Ifá descreve a ancestralidade como fonte genética do indivíduo a partir de duzentos e cinquenta e quatro indivíduos ancestralizados das últimas sete encarnações, ou, duzentos e cinquenta e quatro egúns geradores dos genes que habitam o indivíduo. É o pensar africano que influenciou as culturas nagô, bantu, entre outras, logo, aportou também na nossa amada Umbanda.

Segundo a obra “Tamborizar” de Edileuza P. Souza, a ancestralidade redefine a alegria de partilhar um espaço rodeado de práticas civilizatórias e o viver de nossos antepassados, conduzindo para um processo de mudanças e enriquecimento individual e coletivo em que o sentimento e a paixão estão sintonizados com o ser e o comportamento das pessoas.

Caríssimo irmãos umbandistas, precisamos buscar nas tradições ancestrais as nossas raízes. Árvores replantadas sempre perdem alguns nutrientes do solo original, mas, criam forças, adaptam-se ao novo solo e são capazes de continuar a produzir frutos. Precisamos urgentemente cuidar do solo Umbandista com sapiência ancestral em reverência às forças cósmicas que governam o universo, a natureza e o nosso próprio Ori.

Silnei Aparecido Farkas é teólogo formado pela Pontifícia Faculdade de Teologia NSA Assunção de São Paulo, médium e cursa regularmente a formação sacerdotal ministrada na FUCESP.

FUCESP – Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo 2015

Contato

FUCESP - Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo

CORRESPONDÊNCIA somente para o Escritório em S.Caetano do Sul:
Rua Manoel Coelho, 500 - 12º andar - sala 1.210 - cep: 09510-101 - São Caetano do Sul - SP.

TEMPLO / CURSOS
Alameda Iaiá, 79 - Gopouva - Guarulhos - SP - cep: 07060-000

11 - 9 8495-2098 (TIM)
11 - 9 9937-1770 (VIVO)
11 - 4221-8165 (Pai Salun)