MINHA VISÃO CLÍNICA - COMO SER UM SACERDOTE DA UMBANDA NA ATUALIDADE

29/07/2016 09:40

Façamos uma viagem no passado.. fechemos os nossos olhos e vamos até as terras longínquas do continente africano.

Lá encontraremos tribos com diferentes culturas, onde a crença em Deus e suas divindades se voltam para a natureza e a sobrevivência se faz valer através de disputas, sendo que os mais fortes do grupo dominam.

A humanidade sempre foi assim desde os tempos remotos, na luta para a sobrevivência e as religiões acompanharam esse processo, trazendo regras de conduta para que a ordem se faça. Assim foram ao longo do tempo criando suas lendas e rituais específicos.

A nossa Umbanda é uma religião que absorveu as influências de diversas religiões e filosofias, sem, contudo perder suas raízes oriundas dos cultos ancestrais africanos. Ela está firmada nesta base. É a arvore “Umbanda com raízes, pé-no-chão”.

Ela se formou no plano terreno através dos escravos que aqui aportaram, com a mesclagem da cultura africana e dos indígenas que aqui habitavam e que também viviam da adoração das forças da natureza. Ambas as culturas receberam forte influência do catolicismo, através da catequese realizada pelos portugueses. Com toda essa miscigenação, essas almas, após o desencarne, se uniram nas falanges conhecidas como caboclos e pretos velhos.

Toda essa mistura de culturas foi preponderante na formação da nossa Umbanda. E não podemos esquecer que passamos por muitas vidas e desde os tempos remotos, absorvemos ensinamentos de varias religiões.

A Umbanda, que já estava formada no plano astral foi concretizada como religião através do médium Zélio Fernandino de Moraes, em uma reunião espírita, o qual incorporou o caboclo das Sete Encruzilhadas. Um médium clarividente constatou na ocasião que ele estava vestido como um sacerdote católico, sendo confirmado pelo caboclo como Frei Gabriel Malagrida, um jesuíta italiano, sendo que a sua última encarnação tinha sido a de um índio brasileiro.

Pai Zelio de Moraes, então considerado o primeiro Sacerdote de Umbanda, por sua vez, começou a iniciar outros médiuns, através do preparo mediúnico, sempre orientado pelos guias e encaminhava esses médiuns ao sacerdócio para comandarem outros Templos de Umbanda.

A miscigenação de culturas e conhecimentos trouxe uma variedade de formas de trabalho, agregando os rituais de origem Nagô-Ioruba, Jêje, Angola ou Congo. Aos poucos outras linhas foram se agregando e aceitas, como a linha de exus, pomba-giras, baianos, malandros, boiadeiros, ciganos, marinheiros, crianças e a linha do oriente, que é uma escola iniciática astral (O Grande Oriente Luminoso) que atua com entidades ascencionadas formadas por antigos sacerdotes, curadores, chefes de tribos e guerreiros que trabalham constantemente para o bem da humanidade.

A Umbanda, com auxílio dessas almas ancestrais, nos traz a oportunidade de reunir toda essa sabedoria em uma só religião.

O Sacerdote de Umbanda nos tempos atuais precisa reconhecer e respeitar essa miscigenação, pois fazemos parte dessa árvore frondosa. Somos seus descendentes. Vivenciamos várias encarnações e hoje estamos cumprindo mais uma etapa de aprendizado e evolução.

Estamos aqui e agora, convivendo com almas amigas, mas também com os desafetos do passado. Estamos experimentando, aprendendo, perdoando e principalmente, buscando a nossa lapidação como seres encarnados.

 

- O que é necessário para que nos tornemos bons sacerdotes?

A palavra sacerdote (do latim sacerdos: sagrado; e otis – representante, ou seja: representante do sagrado, é uma autoridade ou ministro religioso, habilitado para dirigir ou participar em rituais sagrados de uma religião. Sacerdotes e sacerdotisas existem desde as sociedades mais primitivas, sendo uma missão dada pelo plano espiritual à pessoa.

Um sacerdote nos tempos atuais, precisa aprender a desenvolver as suas virtudes, não se acomodar e buscar a humildade no seu real sentido, A humildade de saber que não sabe tudo. Procurar aprender sempre. Saber diferenciar o que é arcaico (o que não serve mais) do que é antigo e fundamentado. Ser humilde não é acatar tudo. É aprender com a experiência.

Saber o momento de calar e o momento de se manifestar. Saber diferenciar e ter coragem para a mudança sem, contudo perder as raízes, a essência. Caso contrário, corremos o risco de nos acomodarmos com o que já sabemos e acreditar que isso já é suficiente.

O nosso grande desafio como sacerdotes é abrir a mente para compreender o diferente e não ficar refém de ideias cristalizadas, ou seja: precisamos aprender a pensar “fora da caixinha”.

Na verdade, nunca estaremos prontos, nunca saberemos tudo. Somos seres em evolução. Sempre.

O Sacerdote que acredita que já sabe tudo e não se abre para ideias novas, nos dias atuais, corre o risco de ficar preso no seu fanatismo e na escravidão. Ele escraviza os seus seguidores e é escravizado pelas próprias ideias. Fica preso em seu círculo vicioso e ilusório.

 

- Valores de um sacerdote:

Agir dentro da ética e da moral, ou seja, o conjunto de valores e princípios que usamos para determinar o que devo, o que posso e o que quero. A moral determina como agir com respeito às regras de boa convivência em sociedade.

A honestidade, ou seja, verdade, sinceridade consigo mesmo e com os outros. A humildade de conhecer as suas próprias fraquezas e limitações.

 

- Virtudes que devem ser exercitadas por um sacerdote:

A bondade, a esperança, a caridade, o amor e a fé sempre com sabedoria e com a coragem de enfrentar os desafios espirituais com confiança em Deus e em nós mesmos, esperando sempre que o melhor se faça, dentro da Lei e da Justiça de Deus, e não a nossa.

A caridade é o amor em ação. A paciência, a tolerância com o próximo e saber o momento de auxiliar, dar força e estímulo, ativar a fé da pessoa, mas também o momento de não se deixar vampirizar. O sacerdote precisa saber dosar e se preservar. Aprender a dizer não quando necessário. Nós somos influenciáveis. É importante observarmos isso. Se nosso templo Interno (Deus em nós) estiver forte, saberemos agir e separar o joio do trigo.

 

- Credibilidade:

É a confiança depositada em nós, através de nossas atitudes, valores e virtudes. A credibilidade do Sacerdote está ancorada nos exemplos de vida que possui.

Considerações Finais:

O autoconhecimento é um trabalho constante, para toda a vida. Ele fundamenta-se na concepção serena e imparcial que cada um faz de si mesmo. É um exercício constante de aplicar para si o que deseja para os outros.

Procurar se libertar de vícios e preconceitos.

Na vestimenta do sacerdote, não é necessário luxo, mas sobriedade e limpeza.

Buscar trabalhar na doutrina sem esquecer-se das raízes, mas respeitando a evolução dos costumes e regras da sociedade.

Procurar na medida do possível eliminar rituais que agridam outras vidas e poluam a natureza. Desta forma, estaremos simplificando e transformando para melhor, auxiliando na nossa evolução e na paz planetária.

 

A força do amor pode transformar e curar. Sem o amor não conseguiremos alcançar a Divindade. Ela é a chave mestra e mágica. O Sacerdote é uma ponte para a Divindade. É necessário desenvolver e aplicar essa virtude constantemente em sua vida diária.

Finalmente, estar em paz com a verdade, consigo mesmo e com Deus. Rever nosso íntimo constantemente para não nos perdermos no egoísmo e no julgamento. Precisamos aprender eliminar o ciúme e o ódio, por meio do amor e da paciência. Não conseguiremos isso somente lendo as escrituras ou através de rituais.

Como seres humanos e mais ainda, como Sacerdotes, precisamos nos esforçar para transformar nossos pensamentos, manter nosso templo interno limpo e iluminado para poder enxergar as questões dos outros de forma mais correta possível sem interferir o ego, o mais imparcial possível.

Nos tempos atuais, em que passamos por tanta transformação precisamos aprender como religiosos, a nos despojar da ânsia de poder e domínio que acabam trazendo ilusões, obsessões e desgostos de todo o tipo.

As almas que chegam ao Sacerdote já vêm com uma carga enorme de vícios e problemas diversos aos quais ele tem a missão sagrada de direcionar e orientar. As pessoas mais difíceis de lidar são as que mais necessitam de auxílio e compreensão. Orientar, ser exemplo, incentivar cada um a buscar a sua essência e a sua verdade. Incentivar o aprimoramento pessoal de cada um, trazendo a verdade.

E por fim, a auto lapidação e o autoconhecimento, apoiado na ética, na fé e principalmente no amor, fará com que nos transformemos em pessoas melhores para nós e para o nosso próximo, preenchendo as nossas almas com a força Crística, pois, o mais importante mandamento da lei de Deus que o mestre Jesus nos deixou é: "Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente." Este é o maior mandamento e o mais importante. E o segundo mais importante é parecido com o primeiro: "Ame os outros como você ama a você mesmo." Toda a Lei de Moisés e os ensinamentos dos Profetas se baseiam nesses dois mandamentos.

 

 

Referências Bibliográficas:

 

1. Mario Sergio Cortella

Qual é a Tua Obra? Editora Vozes, 2007.

 

2. João Nunes Maia

Segurança Mediúnica – Editora Espírita Cristã Fonte Viva, 1992.

 

3. Wikipédia – enciclopédia livre da internet.

 

4. Apostila do Curso de Formação Sacerdotal da FUCESP.

 

5. Textos e ensinamentos presenciais realizados pelo Pai Eron, professor e sacerdote da FUCESP. TCC Sacerdócio de Umbanda / 

 

FUCESP/Julho/2016. Ana Maria F. Barros / Vicente M.S. Porto

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