Davi Fernandes Horiuti - Claudia Brunetti Silva - Fernando José Faustino - Maria Júlia Dias Almeida

09/02/2015 23:41

Deísmo, Teísmo, Agnosticismo

 

Guarulhos - 2014

 

 

Davi Fernandes Horiuti | Claudia Brunetti Silva | Fernando José Faustino  Maria Júlia Dias Almeida

 

Resumo

           Esta obra explorará o conceito de deísmo, agnosticismo e teísmo, quanto a sua origem, fundamentos e bases.

           Em seguida, busca confrontar diretamente os conceitos a fim de diferencia-los e reforçar as bases de cada um.

       Por fim, busca aprofundar o entendimento deles em confronto com a Umbanda, de forma que ficará claro os pontos de convergência e divergência, sobretudo quando confrontada as diferentes visões de mundo.

 

 

Introdução

 

Antes mesmo que se possa falar de religião, as pessoas carregam consigo uma visão de mundo. Nesta visão encontram as suas próprias convicções sobre o mundo, a fé e a razão de tudo.

 

É muito comum que as pessoas desde bem pequenas sigam uma religião, mas a sua vivência vai moldando a forma com que cada um acredita na religiosidade. Desta maneira, cada um tem uma filosofia que este trabalho tomou como enfoque três: deísmo, teísmo e agnosticismo

 

Diferente dos trabalhos existentes, o presente procurou como premissa maior pontuar cada visão de mundo, como premissa menor como o Umbandista enxerga determinada filosofia e como conclusão de cada ponto o que, provavelmente, um Umbandista ouviria de alguém adepto de cada filosofia.

 

A Umbanda tem raízes em religiões Africanas, vindas com os escravo e com o sincretismo da religião Católica, tendo como início as manifestações mediúnicas registradas 1906 por Cavalcanti Bandeira, mais tarde decodificada pelo caboclo sete encruzilhadas, em sessão mediúnica conduzida por Zelio Fernandino de Moraes (1908)

 

Essa religião, denominada como Umbanda (vocábulo oriundo da língua quimbundo, Angola, cujo significado é arte de curar. Para os esotéricos, seria Aumbandhan que passada de boca a boca tornou-se Umbanda) tinha como rito a adoração a Deus pregava-se a caridade fazia-se reuniões do qual nelas também tinha-se curas espirituais.

 

Ao longo do tempo, embora o sincretismo tenha sido mantido, a Umbanda não é aplicada de maneira uniforme. Cada casa tem adotado uma postura, umas mais próximas ao Candomblé, outras ao Catolicismo e outras ao Esoterismo. 

 

Este é um trabalho parte do curso de sacerdotes da Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo, a qual agradecemos muito por ter nos acolhido com tanto carinho e nos ter orientado durante o estudo da Umbanda.

 

1.Deísmo

 

      Deísmo é uma postura filosófico-religiosa, baseada em pensamentos de natureza filosófica-naturalista, que admite a existência de um Deus criador, mas rejeita a ideia da revelação divina, ou da materialidade de fenômenos paranormais ou manifestações milagrosas. Nela, temos a ausência de Deus em nosso mundo físico, não tirando dele a incumbência da criação do universo. Esse modo de pensar contrapõe-se ao TEÍSMO que, em seus fundamentos, acredita que o Senhor interfere na criação de modo sobrenatural, ou seja, é a intervenção de Deus em nosso mundo natural através de “milagres”.

     Também no Deísmo encontramos o conceito de autoridade. Enquanto que no Teísmo a autoridade é a Palavra de Deus, inspiradora, fortificante e o testemunho do Espírito Santo. O Deísmo tem como autoridade o primado da razão, baseado em um mundo onde Deus se torna distante, não se interessando pela humanidade, e nem com o pecado cometido por ela, e que também não participou do milagre da encarnação. Para esta visão, Deus se manifesta na ciência e nas leis da natureza.

     Olhando mais profundamente nosso mundo, pode-se observar que muitos estão decepcionados com o modo que a religião, ou com o modo como os que se rotulam religiosos estão conduzindo a fé. Nesse contexto, muitos acreditam na existência de Deus como onipresente, onipotente, mas preferem o distanciamento de paradigmas pregados por essa ou por aquela religião. E, sozinhos, buscam estabeler meios de se comunicar com o oculto sob ângulos próprios.

O nome DEÍSMO tem origem nos filósofos da época, que acreditavam estar iluminando as mentes das pessoas para uma crença mais racional. E, de certo modo, trata-se de um pensamento herdado da tradição do Renascentismo e do Humanismo, por defender a valorização do Homem e da Razão, contrapondo-se à fé cega, mais ou menos como no Espiritismo, que prega a “FÉ INABALÁVEL SÓ É A QUE PODE ENCARAR FRENTE A FRENTE À RAZÃO, EM TODAS AS ÉPOCAS DA HUMANIDADE".

     O avanço da doutrina se faz quando as pessoas se libertavam do pensamento mágico, pois o amadurecimento está na conquista da autonomia no pensar e no agir. Em outras palavras, é quando o indivíduo não exercita um olhar crítico sobre si mesmo e sobre o mundo, permanecendo infantilizado como Alice no país das maravilhas, seguindo o coelho das mistificações. Se olharmos para o mundo como ele é, muitos de nós podemos nos perder em fé subjetiva que rejeita mistificações e milagres duvidosos ou podemos ter uma fé que aceita O PODER SUPREMO DE DEUS, mas que defende a tese que o ser humano é o único e total responsável por seu destino e por tudo aquilo que lhe acontece.

     “Um deísta acredita numa inteligência sobrenatural em cujas ações limitaram-se a estabelecer as leis que governam o universo. O Deus deísta nunca intervém depois, e certamente não tem interesse específico nas questões humanas.

 

     Segundo VOLTAIRE, um dos grandes deístas da história humana, o milagre se traduz da seguinte forma:

     “Um milagre é a violação das leis matemáticas, divinas, imutáveis e eternas. Mediante essa única explicação, um milagre é uma contradição nos termos. Uma lei não pode ser mutável ou violada. Mas uma lei, diz-se-lhes, sendo estabelecida por Deus mesmo, não poderá ser suspensa pelo seu autor     
(...) Demais, Deus nada pode fazer sem razão; ora, que razão poderia levá-lo a desfigurar por algum tempo a sua própria obra? É em favor dos homens, diz-se-lhes. Será, pois, ao menos em favor de todos os homens, pois é impossível conceber que a natureza divina trabalhe para alguns homens em particular e não para todo o gênero humano; mesmo o gênero humano é pouca coisa: É muito menos do que um pequeno formigueiro em comparação com todos os entes que preenchem a imensidão do universo. Ora, não é a mais absurda das loucuras imaginarem que o Ser Infinito invertesse em favor de três ou quatro centenas de formigas nesse pequeno pedaço de lodo, o movimento eterno dessas molas imensas que fazem mover o inteiro do universo?

    A razão principal da dignidade humana consiste na vocação do homem para a comunhão com Deus”.

Ainda segundo Voltaire, o grande pensador do século XVIII, ícone da Revolução Francesa, que inspirou a entronização do “Deusa Razão”, na Catedral de Notre-Dame, escreveu como última confissão:

“Eu morro adorando a Deus, amando meus amigos, não odeio meus inimigos...”

 

     Infelizmente é crescente o número de pessoas que compartilham esse pensamento, ou filosofia, por sentirem a necessidade de fugir da realidade pregada por muitos que se dizem praticando religiões e que fazem imposições para o fiel que busca da comunhão com o divino.

   Assim, a busca de caminhos alternativos têm se tornado cada vez mais comum e consequentemente cada vez mais divergem do modelo atual de fé. Está e a consequência de modelos que trabalham no inconsciente do ser humano, muitas vezes sob a forma de medo e opressão, levando muitos a acreditarem que Deus existe apenas na forma de milagres e maravilhas e não apenas como criador do universo, Ser único, Nosso Pai criador.

    Os deístas atuais têm em sua razão principal a dignidade humana que consiste na vocação do homem para a comunhão com Deus. Neste pensamento, Deus deixou sua criação reger-se por leis naturais; assim, não havia lugar para milagres, nem para a Bíblia como revelação de Deus, nem para providência ou para Cristo como um Deus-homem.

     Pode parecer uma filosofia radical, absurda para aqueles que tiveram em sua criação religiosa crenças e doutrinas completamente diferentes, a qual se acredita que DEUS é capaz de mover montanhas para realizar milagres em prol de quem, segundo a bíblia, tiver em seu coração uma fé inabalável em Seu único e verdadeiro Criador. 

     Curioso analisar os embasamentos deístas para um Deus único, criador, mas que se faz distante quando é invocado e como o fiel é ignorado pelo simples fato de estar em igual condição com o semelhante e vivendo em um universo que não distingue A ou B e por essa razão seria justo Deus não beneficiar ninguém?

            Curioso que o Umbandista teísta, pessoa com grande convicção sobre fé, Deus e todas suas manifestações, racionalmente não faz perguntas sobre essa filosofia, quando vê o assunto em noticiários de televisão, internet ou qualquer outro meio de comunicação

     Desta forma, se percebe como a fé dos Umbandistas é testada e ao mesmo tempo, sabendo de todo o poder cósmico e das forças extra-sensoriais que se dispõe através dos guias espirituais, muitos ainda vacilam quando passam por algum problema ou dificuldade. 

      Nesse contexto cabe uma reflexão pura e realista sobre o assunto:

      Quantos de nós nunca foi enfrentado dentro de nós mesmo ou em nosso terreiro, centro ou mesmo em casa, quando tivemos que ver amigos, parentes, conhecidos passarem por grandes dificuldades e mesmo tendo e praticando nossa mesma fé, não foram curados, não tiveram o melhor emprego ou a melhor moradia?

       Quantos de nós nunca esteve em uma encruzilhada como teístas ou dentro de um centro, terreiro de Umbanda ou candomblé, mais deístas em relação a nossa própria vida ou em relação ao mundo que vivemos?

       Se algum dia fossemos interrogados sobre o porquê alguém conseguir um milagre em uma única gira, e outro não, mesmo fazendo as mesmas coisas e tendo a mesma fé, o que diríamos a essa pessoa sobre o aspecto deísta ou teísta da situação?

      Nessa linha tênue que muitas vezes se enfrenta não só como Umbandistas, mais em qualquer outra religião, deve-se ser forte nos propósitos e nas próprias convicções. Deve-se ter consciência que o ser humano é livre e dono de todo o processo de criação que o cerca, mesmo sendo regido por um SER MAIOR e tendo ao seu lado mentores de luz, ou guias espirituais, que irão ajudá-lo em todo os aspectos de sua vida terrena.

      Não se deve desprezar qualquer linha de pensamento, até porque ninguém é dono de uma razão absoluta que não possa ser contestada em algum momento da vida. Mas os Umbandistas deve ter em mente que cada um é responsável por aquilo que lhe acontece, como no dito popular: ‘TUDO O QUE SE PLANTA, SE COLHE' E até mesmo por isso, os milagres e todas as suas manifestações, conduzidas por mentores espirituais, depende muito mais de uma postura do consulente, do que propriamente dos rituais ou magias que ele aprendeu.

     Reflexão  

    Resumindo todos esses pensamentos e reflexões, cumpre destacar a fala de alguns dos maiores deístas da história que, de modo simples, transcreveu em algumas frases aquilo que eles julgam como o pensamento único e objetivo para se acreditar em DEUS, sem a necessidade de colocá-lo como o responsável por fenômenos que eles julgam como consequência de atos do próprio ser humano. 

    Edward Herbert, Lord de Cherbury (1583-1648), apresentou os pontos básicos que pode ser resumido na seguinte frase:

 Deus existe, e pode ser cultuado pelo arrependimento e por uma vida de tal modo digna, que a alma imortal possa receber a recompensa eterna em vez do castigo.

Charles Bloynt (1654-1693), outro importante deísta, também pregou que o cristianismo não era um mistério e poderia ter sua autenticidade verificada pela razão. E tudo que não pudesse ser provado pela razão deveria ser recusado. Em outros termos, para essas maneiras de pensar, Deus é um Ser que, apesar de diferente da pessoa humana, conhece perfeitamente a vida dos humanos, por ter sido seu criador e por dialogar com eles. Mas que não interfere na vida de sua criação, afim de ser justo com todos e não apenas com alguns poucos escolhidos.  

 

2.Teísmo

 

O teísmo é um conceito filosófico e religioso desenvolvido para compreender o criador. A expressão provém do grego Théos, que significa Deus. O Teísmo é oposto ao ateísmo, sua filosofia foi disseminada em 1678 pelo filósofo e teólogo Raph Cudworth.

No geral, os teístas creem na existência de uma única entidade responsável pela criação do universo. Tal entidade é onisciente, onipresente, capaz de criar tudo por seus próprios meios. A qual tudo conhece e tem infinita liberdade e generosidade.

O teísmo tem várias classificações: monoteísmo (um só Deus), politeísmo (vários Deuses), henoteísmo (Deus superior, sem rejeitar outros Deuses). Além disso, também fala-se em teísmo cristão (monoteísmo combinado com a crença em Deus), monismo (Spinoza, maior filósofo desta, afirma existir uma substância do qual tudo deriva) e teísmo aberto (o Criador não detém completa ciência do futuro, modificando constantemente as ideias iniciais de acordo com o desenrolar dos acontecimentos)

De todas as posturas filosóficas, a que mais se aproxima da prática da fé Umbandista é o Teísmo. Embora muitos achem que a Umbanda é uma religião politeísta pelo fato de existirem vários orixás, muitos não sabem que a Umbanda, na verdade, é monoteísta.

Olorum (Zambi) é a causa primeira, motivo pelo qual tudo existe, é o criador de tudo, de todos. É o princípio que rege tudo, todos, é eterno, imutável, imaterial e único. Em outras religiões é chamado de Deus, Alá, Jeová, Brahama. Desta maneira, todas as qualidades do Criador no teísmo estão presentes na forma com que o Umbandista vê Olorum na Umbanda.

Os orixás são criações de Olorum e manifestam todas as suas qualidades. Olorum representa o todo, os orixás representam partes formadas por esse todo. Adorar as divindades significa adorar as qualidades de Olorum, quem segue junto aos orixás segue em direção a Olorum.

Assim como a Igreja Católica, por exemplo, crê em Anjos e Arcanjos, a Umbanda crê numa ordem hierárquica, onde no mais alto está Olorum, os Orixás, os chefes de Falange e por aí vai. Isso não faz com que a Umbanda assuma caráter politeísta, pelo contrário, se estudado e bem entendido reforça o caráter monoteísta.

Quanto a possibilidade da Umbanda se encaixar como teísmo aberto, tal assunto causa posicionamentos diversos e que podem até ser aceitos se bem explicados. Assim, entendimento de que o conceito de teísmo aberto pode se encaixar a Umbanda, dado a crença em ação e reação. Também no fato de que o criador, em toda sua bondade, nos permite, por meio dos falangeiros, evoluir e sair daqueles que seriam os caminhos da vida. Quantas vezes um falangeiro vem avisar que devemos tomar cuidado ou cessar alguma atividade potencialmente danosa. E, exatamente como filhos, alguns se abstém sem maiores questionamentos e outros pagam para ver, justamente aí percebem quanta sabedoria estava junto daquele que o aconselhou, por esse simples exemplo, é possível perceber que o futuro não é inscrito imutável, muito depende e muito pode ser mudado.  O que também torna a Umbanda compatível com o entendimento de teísmo henoteísmo, afinal, crê-se em Olorum e nos orixás, sendo Olorum a causa primeira de tudo.

Se um teísta comparasse a visão de mundo dele com a fé Umbandista diria: Reconheço Olorum como Deus, reconheço o seu culto e reconheço que Deus age continuamente em nosso mundo e que existem experiências religiosas e espirituais por pessoas humanas.

Em relação a Umbanda o teísta é o que acredita em Deus, nos guias nos orixás, e tudo mais que venha de Deus.

 

3.DIFERENÇA ENTRE DEÍSMO E TEÍSMO e outras formas de se acreditar em DEUS.

 

       

“Um deísta acredita numa inteligência sobrenatural em cujas ações limitaram-se a estabelecer as leis que governam o universo. O Deus deísta nunca intervém depois, e certamente não tem interesse específico nas questões humanas.

Um teísta também acredita numa inteligência sobrenatural, mas uma inteligência que, além de sua obra principal, a de criar o universo, ainda está presente para supervisionar e influenciar o destino subsequente de sua criação inicial. Em muitos sistemas teístas de fé, a divindade está intimamente envolvida nas questões humanas. Atende a preces; perdoa ou pune pecados; intervém no mundo realizando milagres; preocupa-se com boas e más ações e sabe quando as fazemos (ou até quando pensamos em fazê-las).

Os panteístas não acreditam num Deus sobrenatural, mas usam a palavra Deus como sinônimo não sobrenatural para a natureza, ou para o universo, ou para a ordem que governa seu funcionamento.

Os agnósticos consideram inútil discutir temas metafísicos, pois são realidades não atingíveis através do conhecimento. Para os agnósticos, a razão humana não possui capacidade de fundamentar racionalmente a existência de Deus. Um agnóstico pode ser teísta ou ateísta. Um agnóstico teísta admite que não tem conhecimento que comprove a existência de Deus, mas acredita que Deus existe ou admite a possibilidade de que pode existir. Por outro lado, o agnóstico ateísta também admite não possuir conhecimento que comprove a não existência de Deus, mas não acredita na possibilidade que Deus exista, sendo tal assunto abordado com mais profundidade adiante.

Os deístas diferem dos teístas pelo fato de o Deus deles não atender a preces, não estar interessado em pecados ou confissões, não ler nossos pensamentos e não intervir com milagres caprichosos. Diferem dos panteístas pelo fato de que o Deus deísta é uma espécie de inteligência cósmica, maior que o sinônimo metafórico ou poético dos panteístas para as leis do universo. O panteísmo é um ateísmo enfeitado. O deísmo é um teísmo amenizado”, um agnosticismo.

       Os deístas diferem dos teístas pelo fato de o Deus deles não atender a preces, não estar interessado em pecados ou confissões, não ler nossos pensamentos e não intervir com milagres caprichosos. Diferem dos panteístas pelo fato de que o Deus deísta é uma espécie de inteligência cósmica, maior que o sinônimo metafórico ou poético dos panteístas para as leis do universo. O panteísmo é um ateísmo enfeitado. O deísmo é um teísmo amenizado”, um agnosticismo.          

 

4.Agnosticismo

 

O agnosticismo é uma postura filosófica. A palavra vem do grego a-gnostos, que significa Deus desconhecido. O biólogo Thomas Henry Huxley criou a palavra agnóstico em 1869. Não se pode considera-lo  criador desta filosofia, tal assunto já havia sido abordado por pensadores e trabalhos escritos como Protágoras (Sofista da Grécia Antiga, Abdera, c 490 a.C - Sicília, c 415 a.C) e o mito da criação no Rigveda (primeiro e mais antigo dos documentos antigos da literatura Hindu)

Para muitos pensadores, o agnosticismo não é meio termo entre teísmo e ateísmo (o que contraria a escala de Richard Dawkins), mas a crença que a razão pode ou não pode penetrar o reino do sobrenatural, sendo por alguns considerado uma posição epistemologia (do conhecimento)

 

 Para os agnósticos a razão humana não é capaz de justificar a existência de Deus e nem negar a sua existência, assim a razão humana não consegue entender a Deus. Daí resultam ateus agnósticos (não acreditam em Deus ou em divindades, mas não negam a possibilidade de existência) e teístas agnósticos (acreditam em Deus, mas não tem provas de sua existência), isto porquê seria impossível ser absolutamente agnóstico, é uma posição absoluta demais.

Deus não pode ser provado por meio de uma equação matemática, não pode ser percebido por meio de um experimento químico. Não é possível montar uma experiência científica que, se repetida em qualquer lugar e a qualquer momento, dará o mesmo resultado e que ele aponta inquestionavelmente a existência de Deus (como 2 unidades somadas 2 unidades sempre resultam 4 unidades).

É justamente nesse ponto que o ateu diz categoricamente: Deus não existe. O agnóstico tem preocupação epistemológica, que diz respeito quanto à possibilidade de se provar a existência ou não de Deus. Crer em Deus é possível, cultuar Deus é outro entendimento.

Ser agnóstico não se esgota em si mesmo, então há o teísta agnóstico (aquele que supõe a existência de Deus, mas não acredita ser possível entender a Deus) e o teísta ateu (não acredita em Deus ou em divindades, mas também não consegue provar a sua inexistência). Entre esses dois extremos existem diversos posicionamentos. Assim, a grande maioria considera valida a escala de Richard Dawkins.

O que se percebe no agnóstico é a falta do elemento fé. Por esse motivo, é difícil compatibilizar o Umbandista com o agnóstico. A fé é elemento essencial para o Umbandista, é impossível trabalhar, orientar pessoas e se ligar a sua fé se você apenas supõe a existência de Deus. O Umbandista é também um filho de fé, é alguém que deve proferir a fé e seguir aquilo que prega, sob pena de perder a credibilidade. O mesmo vale para aqueles que buscam assistência, não adianta acender vela, cantar, fazer trabalhos se o principal não tem: fé.

Mesmo o agnóstico que supõe a existência de Deus, jamais aceitaria bater cabeça para Oxalá e os demais Orixás. Teria os médiuns incorporados como pessoas que estão fantasiando ou estão em transe, afinal não aceitaria o fenômeno que não se pode provar. Resumiria a nossa fé em verdadeiro teatro. O agnóstico apenas buscaria como empiricamente a Umbanda prova a existência de Deus e dos Orixás.

A Umbanda não se ocupa com a prova da existência empírica de Deus, ela deixa a cargo de cada um encontrar motivos para acreditar ou não. A Umbanda não tem um livro que diga: Deus existe, siga o que está escrito aqui. A Umbanda prega valores e está pautada em leis maiores, como as que regem o mundo físico e espiritual. Por meio de seu trabalho, a Umbanda recebe qualquer um precise de ajuda, propaga o amor ao próximo, fraternidade, respeito, disciplina, livre arbítrio, lei do retorno, justiça e muitos outros. A Umbanda trabalha com falangeiros que seguem uma ordem hierárquica que tomada com um todo remete diretamente a Olorum.

A fé são os olhos da alma, que enxergam a Deus e conduzem a vida espiritual. Aquele que não tem fé sustenta a dúvida, acredita no acaso.  Não se pode acreditar que aquele que se posicione dizendo que “Deus pode até existir” e manifesta não ter fé, a dúvida é tão grande que o exercício da fé fica prejudicado.

E se, a contrário senso, acreditássemos que Deus pudesse ser provado empiricamente, haveria livre arbítrio? Qual seria a punição para aqueles que não acreditam nele? As leis dos homens obrigariam os outros a acreditarem em Deus? Que valor teria a fé nesse contexto? Deus seria cobrado e questionado do que fez e do que deveria fazer? As pessoas seriam marionetes do criador?

Por outro lado, se fosse provado que Deus não existe. De ondem vem as leis da natureza? Tudo seria acaso? O que atribuímos como fé, o que seria? Qual a explicação para as coisas acontecerem na sintonia e no tempo correto? As pessoas que vivenciaram a espiritualidade seriamente simplesmente classificadas como loucas ou mentirosas? O médium vidente é alguém que aleatoriamente tem mais acertos que milhares de outras pessoas em igualdade de condições?

A verdade é que a prova empírica de Deus traria ao homem uma certeza que talvez o seu estágio de evolução não esteja preparado para administrar. Faria com que os próprios homens deturpassem Deus, invalidaria a evolução pois colocaria Deus como a resposta de tudo. Por esse motivo, creio, Deus deixa a cargo de cada um crer e evoluir. Aqueles que não creem também evoluem, mas por outros meios.

Se um agnóstico- teísta comparasse a visão de mundo dele com a fé Umbandista diria: Talvez você até esteja certo, como você prova a sua fé? Você tem algo que se for repetido empiricamente e em qualquer condição aponte para existência inequívoca de Deus? Se o seu Deus é tão poderoso por que ele não aparece para você? Até a impossibilidade de prova a Deus diria: Deus pode até existir, mas só vou acreditar nele quando ele aparecer e provar isso. 

Se um agnóstico- ateu comparasse a visão de mundo dele com a fé Umbandista diria: Prove a existência do seu Deus. Prove de maneira inequívoca e empírica a existência de Deus. Deus não existe, tudo isso é uma mentira.

Assim, o agnóstico acredita que o conhecimento de Deus não é revelado aos homens, não existe nesse caso do agnóstico a fé, na Umbanda ele não se encaixaria em nada, pois temos nossos princípios, a fé no caso vem em primeiro lugar, ele não acredita em ritos, não acredita que exista um ser maior conhecido nominalmente que nos guia, e sim que tenha alguma energia ou algo desconhecido do homem que nos criou

 

5.Conclusão

 

Para o deísta e o teísta, Deus existe e quanto a isso não há o que se provar. Contudo, para o deísta Deus fez o mundo e o abandonou logo em seguida, deixando tudo pronto para que a vida se desenvolvesse sozinha e se julgasse sozinha pelas leis da criação. Já o teísta crê que Deus é onipresente, onisciente, criador único do universo e que, por meio de vários Deus ou um único, acompanha as suas criações.

O teísmo foi criado para combater o agnosticismo, politeísmo e ateísmo. É a visão que mais se aproxima das cristãs, espiritualistas e as religiões de origem africana. Embora consiga abarcar todas essas religiões, não é uma filosofia única, tem várias vertentes e não vai muito além do que foi exposto, por isso, não se constitui religião e sim filosofia de vida.

Já o agnóstico entra em outra ceara, mais precisamente sobre a epistemologia e cobra que Deus seja provado, tal qual uma experiência de laboratório. A prova de Deus deveria ser inequívoca. Sendo impossível o agnóstico ser absolutamente indiferente, existem os teístas agnósticos e os ateus agnósticos (os dois não acreditam que seja possível comprar Deus, mas o primeiro até acredita que por ventura Deus exista, enquanto o segundo nega).

O agnóstico suprime principalmente o elemento fé, o que não o impede de acreditar ou não na possibilidade de existir Deus. Portanto, o campo de discussão de um agnóstico é diferente do de um ateu, deísta, teísta ou panteísta.

O Umbandista se aproxima mais do teísta monoteísta quanto a criação do mundo, ao assumir que Oloroum é a causa primeira de tudo, e henoteísmo quanto ao exercício de sua fé, cabendo aos Umbandistas se reportar aos falangeiros, estando a sua fé depositada nos Orixás e em Olorum.

 

 

6.Referências

 

Wikipedia - Deísmo - Disponível em : http://pt.wikipedia.org/wiki/Deísmo. Acesso em: 20 de Nov.2014

InfoEscola - Deísmo - Disponível em : http://www.infoescola.com/religiao/deismo/. Acesso em: 20 de Nov.2014

InfoEscola - Teísmo - Disponível em : http://www.infoescola.com/religiao/teismo/ Acesso em: 20 de Nov.2014

Wikipedia - Deus - Disponível em : http://pt.wikipedia.org/wiki/Deus. Acesso em: 20 de Nov.2014

Wikipedia - Teísmo - Disponível em : http://pt.wikipedia.org/wiki/Teísmo. Acesso em: 20 de Nov.2014

Wikipedia - Agnostícismo - Disponível em : http://pt.wikipedia.org/wiki/Agnosticismo. Acesso em: 20 de Nov.2014

Livres Pensadores – Teísmo, Agnosticismo, Ateísmo Agnostico, Atesimo Gnostico – Disponível em http://livrespensadores.net/artigos/teismo-agnosticismo-ateismo-agnostico-e-ateismo-gnostico/ . Acesso em: 20 Nov. 2014

Estudo de Umbanda – Disponível em:  http://estudodaUmbanda.wordpress.com/2008/03/18/2-%E2%80%93-olorum-Deus-o-criador/ . Acesso em: 20 Nov 2014

Espaço do Maçom – Disponível em: http://espacodomacom.blogspot.com/2008/11/tesmo-desmo-atesmo.html . Acesso em: 20 Nov. 2014

Creation Wiki – Teísmo - Disponível em: http://creationwiki.org/pt/Te%C3%ADsmo . Acesso em: 20 Nov. 2014

Encfil – Deísmo - Disponível em: http://encfil.goldeye.info/deismo.htm . Acesso em: 20 Nov. 2014



Leia mais: http://www.fucesp.com/news/deismo-teismo-agnosticismo/

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