CRISTINA NAOMI WADA CARVALHO E THIAGO FELIPPE CARVALHO

14/09/2015 13:30
TRABALHO DE TCC – FUCESP – 09/2015
 
Autores
Cristina Naomi Wada Carvalho
Thiago Felippe Carvalho

 

NOSSA VISÃO DA UMBANDA NA ATUALIDADE
 

Atualmente, a Umbanda já está difundida em todo território nacional. Inclusive, há tempos transpôs nossas fronteiras e alcançou diversos países – levando a bandeira de Oxalá à outras culturas. Nos dias atuais, a Umbanda tem uma enorme pluralidade, com diversas vertentes. Dentre elas, podemos citar: Umbanda de Raiz, Umbanda Jurema, Umbanda de Mesa, Umbanda Esotérica e Umbanda Sagrada.

            A Umbanda está alinhada com a atualidade: questões que são tabus em outras religiões, em nossa religião são abordadas e aceitas. Podemos citar como exemplos a orientação sexual e a identidade de gênero (todo ser humano é visto como irmão espiritual), o divórcio (os guias espirituais não incentivam o divórcio, porém também não compactuam com um relacionamento pautado pelo ódio, sofrimento e falta de amor – que é prejudicial e traumático para toda família) e o papel da mulher (que está em todos os níveis hierárquicos da nossa religião, pois a Umbanda defende direitos iguais para mulheres e homens na sociedade).

Neste mundo dinâmico e atual, o dirigente espiritual, o sacerdote e o médium tem uma responsabilidade enorme mesmo quando não estão incorporados. Ao conversar e explicar sobre a Umbanda, os mesmos têm que alertar que o guia espiritual é “apenas um instrumento”. O que faz o indivíduo alcançar seus objetivos de vida e/ou cura é somente sua fé. Lógico que existem outros fatores, tais como merecimento e carma. Mas a pessoa precisa acreditar que tudo é possível.  A Umbanda mostra o caminho certeiro, porém alcançá-lo dependerá de cada pessoa.

  Sabemos que o ser humano é falho, passível de erro. Por isso, num dia de trabalho espiritual, é necessário ficar atento com situações que possam macular[1] a Umbanda, como por exemplo: “Peço na Umbanda e consigo, doa a quem doer”. Ainda vemos indivíduos que procuram a Umbanda para que o “guia espiritual” os ajude a roubar o cônjuge alheio, pedindo para prejudicar o próximo em benefício próprio e outras tantas barbaridades. Porém, isto não é Umbanda. Nossa religião prega o amor, humildade, caridade e fé. Assim sendo, o que temos que ensinar a estas pessoas é que tudo de mal que for desejado ao próximo voltará para elas. E também não se deve ser condizente com “médiuns” que fazem tais trabalhos em nome da Umbanda.     

Muitas vezes, na Umbanda, ouvimos relatos sobre a desunião dos umbandistas – diferentemente do que acontece em outras religiões. Afim de verificar a veracidade desta questão, conversamos com pessoas de outras crenças religiosas e pudemos perceber que tal afirmação é falsa. O que identificamos é que, como também acontece em outras religiões, existe divergência entre as correntes existentes – dificultando, às vezes, a interação. Fazendo analogia[2] ao antigo, mas sempre atual, termo de Nelson Rodrigues "complexo de vira-lata", entendemos que o umbandista se coloca voluntariamente inferior frente às outras religiões. Mas o fato é que conseguimos, sim, debater religião com outras crenças. Podemos sim, contestar, mas para isso precisamos ter conhecimento profundo sobre nossa religião, estarmos abertos a novas informações e visões e ter embasamento sobre as outras religiões. Só assim conseguimos ser argumentativos de forma produtiva.

Outro tema que gera bastante discussão entre os sacerdotes umbandistas é manter ou não imagens católicas no congá. Há correntes dentro da própria religião que pregam a retirada das imagens católicas, com intuito de diminuir o sincretismo com o Catolicismo. Porém, existem outras correntes de pensamento que julgam necessário a manutenção destas imagens, com as seguintes argumentações: veneração, respeito e fonte de inspiração para entrar em sintonia com a vibração dos guias espirituais. Vale salientar ainda que a grande maioria das pessoas que estão na assistência acompanhando os trabalhos não aceitam a retirada das imagens. Em nossa visão, não é necessário o uso das imagens. Mas, como já fomos apresentados à religião dessa forma, criou-se uma simbologia de tradição. À curto prazo, essa não é uma questão que terá resolução prática.

            Umbanda é caridade. E caridade significa não cobrar por uma ação: dê de graça o que de graça recebestes. Essa questão também vale ser ressaltada, pois no mundo pós-moderno, em que o dinheiro é imprescindível para manter um terreiro ou mesmo divulgar a religão, algumas pessoas ficam tentadas a cobrar por uma ajuda. É importante ter em mente que, ainda que a situação financeira não seja privilegiada, nossa missão é sempre ajudar o próximo sem receber por isso. Em nossos terreiros chegam consulentes com problemas espirituais sérios (com a necessidade de desobsseção). Neste caso, que temos de fazer é atender essa pessoa e ajudá-la com o problema – e nunca visar uma vantagem material. Mas é lógico que em todo templo de Umbanda qualquer tipo de doação é aceita e bem-vinda.

A Umbanda, tal como o ser humano, não é imutável[3]. Ela está em constante transformação. Temos de ter consciência que a religião mudou bastante desde quando surgiu até os dias atuais: ganhou vertentes e adeptos de todas as classes sociais e regiões do País, que trouxeram junto a ela suas singularidades, costumes e verdades – que moldaram e continuam a moldar nossa religião. Todos que estão aqui, neste curso, não podem esquecer que somos ou seremos formadores de opinião e temos a responsabilidade de utilizar e repassar o que aprendemos com os guias espirituais e os mais antigos na religião. Ensinar e aprender com as novas gerações, sempre pensando numa Umbanda mais forte e mais respeitada em toda sociedade brasileira. Porém, só conseguiremos isso com muito estudo, dedicação e coragem.

Por fim, então, podemos concluir que a Umbanda é uma religião nova em comparação a outras religiões milenares, e que sua formação foi forjada através de elementos da cultura religiosa brasileira – sincretizando elementos da religiosidade indígena, religiões afro-brasileiras, espiritismo e catolicismo. Que é uma religião que aglutina pelo amor e pela busca na evolução espiritual, que não aprisiona através de medos e dogmas. Para trabalhar na Umbanda, é necessário primar pela caridade ajudando o próximo, harmonia com o semelhante, lealdade com os irmãos de fé, humildade para trabalhar e se desenvolver, verdade sempre, amor, senso de justiça e fraternidade. Sempre fazer o bem sem olhar a quem.

 

 

 

 

Dedicamos este trabalho ao sacerdote Odeth de Sá Goiabeira “in memoriam”, que foi e sempre será um exemplo a ser seguido por sua determinação e fé inabaláveis.

 

 

TRABALHO DE TCC – FUCESP – 09/2015

 

Autores

Cristina Naomi Wada Carvalho
Thiago Felippe Carvalho

 


[1] Macular: Manchar a honra ou a reputação; infamar; desonrar

[2] Analogia: É a semelhança entre o diferente. Na língua se dá pela construção de ideias baseadas nas já existentes.

[3] Imutável: O que não está sujeito a mudar; permanente, constante, imudável.

 

 

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