ADEMIR RAMOS MOURA E SUSAN WEISS ROSE

14/09/2015 13:17

A MINHA VISÃO DA UMBANDA NA ATUALIDADE

 

 

Trabalho de Conclusão de Curso submetido à Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo como requisito do Curso de Formação de Sacerdote de Umbanda - Turma 2014/2015.

 

Orientador: Sacerdote Carlos Roberto Salun, presidente da FUCESP.

 

 

 

 

 

 

 

São Paulo, 05 de setembro de 2015.

 

 

Agradecimentos

 

 

A Oxalá

 

Agradecemos inicialmente a Oxalá e aos amados Mestres Invisíveis da Sagrada Hierarquia Celestial, pela presença, inspiração e proteção em minha vida.  Aos nossos sagrados Orixás por nos permitir  entrar nesse mundo espiritual.

 

 

Aos familiares

 

Agradeço ao meu marido Ricardo e meus filhos, Mathias e Priscila, pelo incentivo e pelo amor que me devotam (Susan).

Agradeço aos meus filhos pelo apoio (Ademir).

 

 

À FUCESP

 

Agradecemos ao sacerdote e nosso mestre Carlos Roberto Salun, por nos ter transmitido seus preciosos conhecimentos, ensinamentos esses que vamos  usar tanto para nossa vida pessoal, bem como na vida espiritual, pela sua paciência e dedicação.

 

 

Aos colegas sacerdotes

 

Agradecemos também a sacerdotisa Silvana A. Quinteiro, ao sacerdote Carlos Novo, ao sacerdote Joseildo Fonseca, ao sacerdote Nelson C. Vicente e ao sacerdote José, por terem nos auxiliado nas aulas e nas deitadas dedicadas aos Orixás.

 

 

Citação

 

 

"Onde existem barreiras aos mundos dos outros, onde os interlocutores falam somente de diferenças, de lógica, de cientificidade, mantendo-se obstinadamente fechados nos próprios mundos ali estão excluídos todas as condições de diálogo com o outro e fica ainda mais distante a possibilidade de compreender o sentido religioso e o caráter simbólico de mundos religiosos diferentes do nosso."

(Aldo Natale Terrin)

 

 

 

 

Sumário do Trabalho de Conclusão de Curso

 

 

                      A   )           Objetivos.

 

B)          Introdução.

 

C)          Origem da Umbanda.

 

D)          Características da Umbanda.

 

E)          Rituais da Umbanda.

 

F)          A Umbanda e suas vertentes.

 

G)          Terapias alternativas incorporadas na Umbanda.

 

H)          O que a Umbanda tem a nos oferecer hoje.

 

I)            Minha visão da Umbanda na atualidade (Ademir Ramos Moura e Susan W. Rose).

 

J)           Citação final.

 

K)          Bibliografia.

 

                                                            

 

                                                         

 

 

                        A) Objetivos

 

Este trabalho é a monografia de conclusão de curso apresentada na FUCESP (Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo). Através dele procuramos fazer uma apresentação geral, mas bastante completa da Umbanda, tendo como base a maneira como vemos a Umbanda na atualidade.

 

Para isso, serão abordados conceitos de autores diversos, ligados diretamente à nossa religião. Com estas informações tentamos ampliar o quadro da Umbanda atual, com suas novas influências de outras áreas do conhecimento humano. Um dos objetivos deste trabalho, além de externar as nossas opiniões, também é mostrar a vitalidade e a abertura da Umbanda em relação ao que ocorre em nossa sociedade pós-moderna.

 

Apresentaremos a Umbanda desde sua formação até as recentes novas influências. Estamos cientes que na Umbanda são muitos os caminhos possíveis, quando se sabe que o ponto de chegada é o mesmo em todos eles.

 

 

B) Introdução

 

As informações contidas neste trabalho foram retiradas de diversas fontes, que estão citadas no final deste trabalho, no entanto é preciso considerar que para diversos assuntos aqui tratados não existe uma opinião única na doutrina umbandista. Neste trabalho procuramos apresentar nossa visão sobre a Umbanda na atualidade, baseados nos estudos e nas meditações que fizemos sobre os temas, sempre seguindo os ensinamentos básicos da doutrina umbandista.

 

Respeitamos as práticas e os ritos praticados dentro da Umbanda, e vemos estas como escolhas de pessoas ou de grupos, alimentados pela  fé e pela caridade. Com isso, acreditamos que todo umbandista pode ter opinião diferente sobre este ou aquele assunto  da doutrina ou do rito, mas deve sempre procurar a iluminação dos Orixás para manter sua fidelidade à doutrina.

 

C) Origem da Umbanda

 

Para iniciar nossa explanação sobre como é nossa visão da Umbanda na atualidade, faremos um breve relato sobre a sua história até os dias atuais.

Todos nós sabemos que nossa religião foi fundada pelo médium Zélio de Moraes, através do caboclo das Sete Encruzilhadas. Queremos aqui registrar mais uma vez a história, para que fique gravado em nossa memória como tudo ocorreu.

 

No estado do Rio de Janeiro, o Caboclo das Sete Encruzilhadas assim se chamou,  baixou na casa da família Moraes, as 20:00 horas do dia 16 de Novembro de 1908. Logo após a incorporação fez os atendimentos, e no final dessa reunião o Caboclo ditou certas normas para a sequência dos trabalhos. Este deveria ser absolutamente gratuito, incluir o uso de roupas brancas simples, sem o uso de atabaques nem palmas ritmadas, sendo os cânticos baixos e harmoniosos.

 

A esse novo tipo de culto que se estruturava nessa noite, ele denominou de “Umbanda”, que seria a “manifestação do espírito para a caridade”. Posteriormente reafirmou que Umbanda era uma linha de demanda para a caridade. Disse o Caboclo: "A prática da caridade no sentido do amor fraterno será a característica principal deste culto, que tem base no Evangelho de Jesus e como mestre supremo Cristo". Neste mesmo dia, durante o culto, incorporou um Preto Velho (Pai Antonio), espírito de um  velho ex escravo.

 

O rito nasceu naturalmente como consequência, principalmente, da influência do elemento indígena e negro. Outros médiuns que não aceitavam os ritos advindos dos rituais africanos (candomblé) identificavam-se com a Umbanda, migrando para este culto. Nesta Tenda original muitos médiuns foram formados e abriram outros Terreiros ou Tendas, nas características desta mesma linha.

 

Em 1913, cinco anos após o caboclo das Sete Encruzilhadas ter se manifestado, desceu em terra o espírito denominado como Orixá Mallet, que rapidamente alcançou lugar destacado no panteão da Umbanda, passando trabalhar nos trabalhos de desmanche e magia e sendo respeitado pelas outras entidades do Sr. Zélio; o Pai Antônio e o próprio Caboclo das Sete Encruzilhadas. Este espírito era da linha da falange de Ogum, tendo trazido para os trabalhos os pontos riscados e outras falanges de espíritos, bem como ponteiras de ferro e a utilização de comidas. Trabalhava com animais, mas os mantinham vivos. Com um temperamento forte, era disciplinador, quase não falava, podia promover materializações e trabalhava com elementos da natureza.

Muito se fala sobre a oferenda utilizando carne de porco, o que parece ir contra os princípios trazidos pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas. Em entrevista para esclarecer este assunto, a neta do Sr. Zélio, a Sra. Lygia, esclareceu que
“O ritual para elaboração da comida de Ogum foi trazido por Orixá Mallet (uma das entidades que atuavam junto ao Caboclo das Sete Encruzilhadas, também através de meu avô), que seria obrigatoriamente um sarapatel. O sarapatel era feito com os miúdos de um porco castrado, por isso usava-se o animal com esta característica. Ele era morto por uma pessoa de fora do terreiro, fora da TENSP (Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade), habilitado e contratado para tal. A carne era usada como alimento para qualquer refeição.”

Sob a irradiação de Ogum, coincidentemente com a atuação e influência do espírito Orixá Mallet, também se manifestou o Sr Marabaroô, Exu da coroa do Sr. Zélio.

No dia 12 de Março de 1920, o Médium Benjamim Gonçalves Figueiredo teve a primazia de incorporar, pela primeira vez, o Caboclo Mirim, Grande Mestre Fundador da Tenda Espírita Mirim e um dos idealizadores do Primado de Umbanda, através do Caboclo Mirim, entidade com a qual trabalhava. Este trouxe uma ritualística e liturgia própria para a Umbanda, a chamada Escola da Vida, fonte de inspiração seguida por diversas tendas por todo o país. Ele foi preparado também pelo Espirito Mallet, através do médium Sr. Zélio. Em outubro de 1924, estava fundada a Tenda Mirim, no Rio de Janeiro. O Caboclo, então, apresentou os dogmas de sua Escola.

Muitos outros vieram e foram importantes na história e criação da Umbanda:  Domingos dos Santos, João Carneiro de Almeida, José Álvares Pessoa, Manoel Nogueira Aranha, João de Freitas, Cavalcanti Bandeira, Cícero Bernardino de Melo, Narciso Cavalcanti, Félix Nascente Pinto, Jerônimo de Souza, Henrique Landi Júnior, Matta e Silva, Tancredo da Silva Pinto, Átila Nunes (pai), Omolubá, Flavio da Guiné, dentre outros.

A prática umbandista deveria se desenvolver dentro da simplicidade, abolido o sincretismo dos orixás com as imagens dos santos católicos, os médiuns vestiriam-se sobriamente, sem guias no pescoço, atendendo de acordo com os graus de iniciação. Não eram permitidas matanças de animais, obrigações ou recolhimentos. No congá, apenas a imagem de Jesus (Oxalá), a tradicional conhecida pela Umbanda, de braços abertos, como a acolher todos os filhos que a ele se dirigem.

Muitas outras casas (Terreiros ou Tendas) já se espalhavam pelo Sudeste e demais regiões do País, e  o culto a Umbanda  se misturava com outros ritos e se espalhava de forma descontrolada. Não haviam meios ou formas de acompanhar ou se definir tais ritos, que tinham forte influência de imigrantes do nordeste, de outras regiões  do Brasil e até mesmo do exterior.

Nesta época (primeiras décadas do século XX) não havia liberdade religiosa. Todas as religiões que apontavam semelhanças com rituais afros eram perseguidas, os terreiros destruídos e os praticantes presos.

Em 1941, a UEUB (União Espírita de Umbanda Brasileira) organizou sua primeira conferência, o 1º Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda, [como forma de tentar definir e codificar a Umbanda como  uma religião por seu direito e como uma religião que une todas as religiões, raças e nacionalidades. A conferência também promoveu uma dissociação das tradições afro-brasileiras. Os participantes concordaram em fazer uso das obras de Allan Kardec, como fundação doutrinária da Umbanda, enquanto se dissociando das outras tradições religiosas afro-brasileiras. Ainda assim, os espíritos fundadores da Umbanda, os Caboclos e os Preto Velhos, foram mantidos como espíritos altamente evoluídos. Em termos gerais, os participantes do Congresso se esforçaram em legitimar a Umbanda como uma religião altamente evoluída, por exemplo, afirmando que a Umbanda já existia anteriormente. Assim, em 1945, José Álvares Pessoa, dirigente de uma das sete casas de Umbanda fundadas inicialmente pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, obteve junto ao Congresso Nacional a legalização da prática da Umbanda. A partir daí, muitos Terreiros cujos rituais não seguiam o recomendado pelo fundador da religião, passaram a dizer que eram umbandistas, como maneira de fugir da perseguição policial.

 

Foi por essa época que a religião começou a perder seus contornos bem definidos e a misturar-se com outros tipos de manifestações religiosas. De tal forma que hoje a Umbanda genuína é praticada em pouquíssimos Terreiros. Com fortes traços do Kardecismo, do Catolicismo, do Candomblé e outras influencias de rituais do Norte e Nordeste do Brasil, a Umbanda foi se diversificando. Hoje, existem diversas ramificações onde podemos encontrar influências que utilizam a palavra Umbanda, como as indígenas (Umbanda de Caboclo), as africanas (Umbandomblé, Umbanda traçada) e diversas outras de cunho esotérico (Umbanda Esotérica, Umbanda, Iniciática). Existe também a "Umbanda popular", onde encontraremos um pouco de cada coisa ou um cadinho de cada ancestralidade, onde o sincretismo (associação de santos católicos aos orixás africanos) é muito comum. Temos de forma ampla e diversificada mais ou menos 19 tipos de culto e existem ainda outras classificações, que são a mistura de uma linha com outra (como mostraremos mais à frente). 

 

 

D) Características da Umbanda

A Umbanda é uma religião natural (que vê e cultua Deus e os Orixás nas matas, no mar, nas cachoeiras, rios, lagos, etc.) que segue os ensinamentos de várias vertentes da humanidade. Ela traz lições de amor e fraternidade, sendo cósmica em seus conceitos e transcendental em seus fundamentos, respeita e cultua a natureza.

A Umbanda é uma junção de elementos africanos (Orixás), indígenas (cultos aos elementos da natureza), catolicismo e cristianismo (trazido pelos europeus) e Espiritismo (através de Kardec os fundamentos espíritas, reencarnação, lei do carma, progresso espiritual e muito mais).

A Umbanda se fundamenta em:

·         Ser Monoteísta – Acredita em um único Deus;

·         Na crença nos Sagrados Orixás, chefiando falanges que formam uma hierarquia espiritual, subdividindo em Graus e Degraus;

·         Na crença de entidades espirituais em evolução;

·         Na pratica da mediunidade sob vários aspectos, sob forma de desenvolvimento espiritual do médium.

A Umbanda é sagrada, é uma religião espiritualista e espírita, desvinculada de mitos, lendas e crendices, que tem seus fundamentos num único “Deus” – “Olorun” ou "Zambi”, gerador e sustentador de tudo e de todas as coisas, inclusive os Sagrados Orixás – responsáveis por Ele, e nas manifestações delas para o mundo encarnado (Plano Humano de Evolução) por meio de espíritos elevados ou em ascensão, que pela incorporação oracular, quer por outras formas de comunição, segundo uma codificação que nunca tira os bons costumes, a moral, qualquer principio religioso dessa ou daquela e respeita o livre arbítrio. Tem como finalidade gerar condições para evolução dos espíritos encarnados e desencarnados a ela ligados.

Diante do exposto acima devemos então trazer o que entendemos sobre Umbanda e suas diferentes formas de praticá-la, repetindo sempre que esta é uma visão pessoal e não tem a finalidade de julgar ou conceituar como certo ou errado daquilo que é praticado nas diversas formas de Umbanda. Não temos a intenção de dar parametros a nada, a intenção é de mostrar a história da Umbanda desde o seu inicio e fazer pensarem todos, de onde saimos e aonde chegamos até o momento.

Precisamos também entender que toda religião por mais dogmática que seja sofre a influencia de seu meio e se altera pouco a pouco da sua raiz. Entendemos que é salutar e necessário ser flexivel para se moldar à evolução  para  seu crescimento e sustentação, mas também entendemos que é preciso equilibrio e bom senso para não se perder  pelo caminho. Também devemos ter o cuidado de,  sobre o pretexto da moralidade e dos bons costumes alterar de tal forma os seus rituais, correndo o risco de descaracterizar a Umbanda.

Nosso País é rico, muito rico culturalmente e por ser grande em territorio  e costumes cria a condição ideal para que estas misturas e diversificações aconteçam.

Acontece  que os povos e costumes da região Norte são diferentes daqueles do Sudeste, que por sua vez são diferente daqueles do Sul, somando-se ainda com a influencia de estrangeiros que formaram o nosso País com costumes e hábitos. Desta forma, é natural tamanha diversificação na nossa religião.

 

E) Rituais da Umbanda

Discriminamos abaixo alguns rituais e práticas utilizados na Umbanda, não com o intuito de julgar, mas para uma reflexão e discussão sobre  o que temos praticado na Umbanda e a real necessidade destes rituais:

  • Sacrifício de  animais;
  • Uso de bebidas alcoólicas;
  • Uso do fumo como charrutos, cigarros, cigarilhas, etc.;
  • Uso de roupas e utensilios em excesso, com apetrechos dos guias. Por exemplo, os Caboclos costumam utilizar cocares, alguns utilizam machadinhas de pedra, chocalhos,  Exus usarem tridentes, cartola e capa preta, e outros paramentos;
  • Oferendas de comidas ou animais depositadas nas encruzilhadas, em vias públicas ou nos campos de força (praias,  matas, cachoeiras, rios);
  • O uso de guias, em excesso, em grande número pelos médiuns, sendo até adquiridas “prontas” em casas de Umbanda, ou sob encomenda de algum artesão;
  • Amacis vendidos ja prontos que servem  a pessoa que vai usar, como uma receita já pronta;
  • Prender o “Anjo de Guarda” da pessoa, ou qualquer outra, dita entidade  “do médium” no Terreiro em que esse foi desenvolvido ou trabalhava e sómente  devolver mediante o pagamento de alguma quantia em dinheiro;
  • Cobrar para realização de trabalhos de forma direta ou indireta;
  • Jogar  buzios, Tarô e demais  formas de leitura com a cobrança por tal serviço utilizando o Terreiro de Umbanda pelo seu sacerdote para  estes fins;
  • O uso de imagens de santos católicos nos congás (altares) nos Terreiros.

Poderiamos citar aqui muitas outras práticas, todas elas passíveis de discussão e questionamentos para diversas correntes de pensamento dentro da Umbanda.

F) A Umbanda e suas vertentes

 

1 -       Umbanda Branca e Demanda

2 -       Umbanda Kardecista

3 -       Umbanda Mirim

4 -       Umbanda Popular

5 -       Umbanda Omolocô

6 -       Umbanda Almas e Angola

7 -       Umbandomblé

8 -       Umbanda Eclética Maior

9 -       Aumbhandã

10-      Umbanda Guaracyana

11-      Umbanda dos Sete Raios

12-      Aumpram

13-      Ombhandhum

14-      Umbanda Sagrada

15-      Umbanda Jurema

16-      Umbandaime

17-     Umbanda Esotérca

18-     Umbanda Traçada

19-     Umbanda Iniciática

Existem ainda outras classificações que são uma mistura de uma linha com outra.

 

A Umbanda é Umbanda, a Umbanda é sagrada e, acima de tudo, é a pratica do amor e da caridade com humildade.

 

G) Terapias alternativas incorporadas pela Umbanda

 

O Brasil apresenta amplo espectro de terapias alternativas que concorrem no tratamento de doenças e doentes. A composição deste pluralismo terapêutico decorre da peculiar história social, econômica e cultural do país. Neste sentido, o arranjo das "medicinas" assume um feitio próprio e pouco conhecido. O livro de Paula Montero traz original e preciosa informação sobre um significativo segmento das terapias alternativas oferecidas aos brasileiros. Da doença a desordem constitui rigorosa analise das práticas terapêuticas da Umbanda e da cosmo visão que inspira a sua interpretação etiológica da eclosão de moléstias.

 

Que sentido pode ter a cura mágica numa sociedade como a nossa que erigiu a razão como critério de verdade e que delegou à ciência e a técnica a função de orientar as práticas mais corriqueiras? Duplamente estigmatizada, por seu caráter de classe e por seu distanciamento com relação às verdades produzidas pela ciência, à magia não deveria merecer a atenção das pessoas preocupadas em investigar a doença e a cura. No entanto, no momento em que a Medicina atinge um grande nível de sofisticação tecnológica, vemos proliferar nos centros urbanos do País a procura de soluções mágicas para as doenças. A esperança de cura leva semanalmente pequenas multidões às portas dos terreiros de Umbanda e dos centros kardecistas. O "dom da cura" é o segundo dom mais importante das seitas protestantes. A esperança no "milagre" é também traço característico do catolicismo popular. Como compreender essa inquietante infiltração e permanência da magia no interior do mundo urbano e tecnológico?

 

Recentemente venho fazendo uma pesquisa sobre terapias alternativas que são usadas nos centros de Umbanda. Pessoalmente sempre fui adepta à modificação e busca de conhecimentos que somassem ao que poderia ser possível caminho de autoconhecimento e autocura. A Umbanda, como religião genuinamente brasileira, rica de diversidades culturais em seus fundamentos, tem de ser aberta às contribuições do Oriente, continente igualmente rico em cultura e religião. A Umbanda não é estática e o seu dinamismo exige, que os seus dirigentes aprofundem os conhecimentos e utilizem as energias ora existentes, como as já citadas, para a evolução da sua prática. Dentre as práticas incorporadas pela Umbanda, destacam-se:

 

Reiki - é uma palavra japonesa que significa “Energia Vital Universal”. Não é uma religião e nem uma crença e sim uma técnica de manipulação energética para a cura. É indicada pelos mentores de cura. Atua no corpo físico e no duplo etérico. Muito utilizada para males de origem emocional ou psíquica e para realinhamento dos chakras. Na linha do oriente, trabalhamos com os mestres da cura.

 

Uso de cristais - cristais e pedras com propriedades terapêuticas e espirituais. O verdadeiro poder dos cristais está na força para modificar de forma positiva a vida psíquica e física do ser humano. Este poder surge das suas propriedades físicas e morfológicas estudadas pela mineralogia. Existem minerais com grandes poderes curativos e até mesmo adivinhatórios.

 

Cromoterapia - é indicada pelos mentores de cura e aplicada por médiuns que conheçam o método de aplicação. Atua no corpo físico e no duplo etérico. Muito utilizado para males de origem emocional, é uma terapia que auxilia nos processos de ativação de células doentes, recuperando-as na verdade. Através dela, capturamos as cores da natureza para aplicá-las em nossos campos energéticos, recuperando assim o nosso bem-estar e nossa saúde. Ela visa restabelecer o equilíbrio-cor, restaurando assim a nossa aura possivelmente fragmentada, restabelecendo, portanto, o nosso equilíbrio físico, mental e espiritual.

 

Fluidoterapia - é usada pelos mentores de cura por médiuns que conheçam o método de aplicação. Atua no corpo físico e no perispírito.

 

Homeopatia - Indicada e receitada pelos mentores espirituais. As fórmulas são feitas em um laboratório de manipulação homeopáticos. Devem ser tomados de acordo com o determinado problema. Também podem ser utilizados, florais de Bach, cristaloterapia, chás, aromatoterapia, acupuntura, do-in, etc.

 

Apometria - é um conjunto de princípios e técnicas que tem como objetivo o tratamento, a harmonização e a conscientização dos múltiplos aspectos que movem as energias humanas. Todos nós somos um agregado de vários níveis de consciência. Esses níveis são também energias, trabalha com o desdobramento dos corpos, níveis e subníveis. Nesse sentido, é possível que o apômetra desdobre esses níveis espirituais e os conduza a tratamento no plano astral. Existem espíritos de luz que realizam todo o tratamento dos níveis quando eles são desdobrados. Além disso, existem técnicas para tornar nosso corpo etérico mais maleável e flexível, diminuindo a sua coesão intermolecular. Assim, os doutrinadores podem emanar energias positivas, de purificação, às pessoas e realizar todo um tratamento com as diversas energias cósmicas que estão a nossa disposição.

 

Radiestesia - a palavra Radiestesia é dividida em dois termos:  RADIUS, que vem do latim e significa radiação, raio e AISTHESIS, que vem do grego e significa ser sensível a captação de variadas frequências.

 

H) O que a Umbanda tem a nos oferecer hoje

Abaixo, apresentamos algumas reflexões do filósofo Fernando Sepe, sobre a situação atual da Umbanda, frente a um mundo pós-moderno, influenciado por tantas ideias novas, inclusive no campo religioso:

 

"O que a religião e, mais especificamente, a religião de Umbanda, pode oferecer a uma sociedade pós-moderna como a nossa? Como ela pode contribuir junto ao ser humano em sua busca por paz interior, desenvolvimento pessoal e auto-realização?"

 

"Existe uma ponte entre Umbanda e ciência, algo indispensável e extremamente útil, nos dias de hoje, para a estruturação de uma espiritualidade sadia?"

 

"Como uma gira de Umbanda, através de seus ritos, cantos e danças, envolve-se com o inconsciente das pessoas?"

"A mediunidade como prática de autoconhecimento e porta para momentâneos estados alterados de consciência que contribuem para o vislumbre e o alcance permanente de estágios de consciência superiores. Além disso, por que não a prática meditativa dentro da Umbanda?"
 
"Por seu caráter sincrético, heterodoxo e anti-fundamentalista, a Umbanda tem um exemplo prático de paz para as inúmeras questões de conflitos étnico-religiosos que existem ao redor do mundo."
 
I) Minha visão da Umbanda na atualidade

 

Ademir Ramos Moura

Definindo a minha visão sobre a Umbanda na atualidade chego a conclusão  que só o estudo,  a quebra de mitos e tabus, o encarar de frente e não pensar se faço o certo e o que não pensa como eu está errado, não vai trazer a sua verdadeira essencia para o qual ela foi criada. Para entender a Umbanda é preciso estudar e respeitar  todas as outras religiões, sem contudo perder a nossa essencia -“ A manifestação do espírito para a caridade, no sentido do amor fraterno”, lembremos sempre dessa frase.

A Fé não é cega, Ela precisa de uma base de conhecimento e inteligência do que se deve acreditar, é preciso usar a razão, compreede-la, a Fé cega escraviza e tira do ser humano a faculdade do raciocínio e do livre arbítrio, conforme citado no Evangelho de Kardec.

Ser Umbandista não é explorar a miséria e a ignorancia do povo e falar “SARAVA” sem  saber o seu real significado.

Ser Umbandista é não se esconder na “suposta Entidade” para subjugar e impor medos e restrições ao seu próximo.

Ser Umbandista é respeitar a  natureza que é o verdadeiro campo de força dos Orixás.

Espiritos que fazem o bem e a caridade não fazem barganhas. “Cuidado com o que  se pede e a quem voce pede, tudo tem um preço” (diz um amigo Exu).

Salve a sua força.

Salve a Umbanda

Salve a força que movimenta a natureza.

Saravá.

 

Susan Weiss Rose

 

Na minha visão, a Umbanda está aos poucos conseguindo conquistar o seu espaço, embora ainda haja muito preconceito, intolerância e discriminação, por parte de pessoas que não a conhecem.

 

Eu vejo que a Umbanda está lutando por seu merecido espaço, para mostrar a sua  tradição, a sua doutrina, a sua ancestralidade e o seu propósito. A Umbanda mostra que religiões podem e devem conviver de forma harmônica e que cada uma delas, incluso a Umbanda, é uma das moradas de Deus. Já disse Jesus: "Há muitas moradas na casa de meu Pai".

 

Como frequentadora da Umbanda há 10 anos, posso dizer que a nossa religião vem conquistando simpatizantes e adeptos de varias faixas etárias, tornando-se mais famosa e compreendida.

 

A Umbanda da atualidade por ser agregadora, abriu as suas portas com generosidade e tolerância, incorporando em sua prática (gira) outras terapias alternativas, que contribuem para ajudar e acolher aqueles que precisam de ajuda.

 

Hoje a Umbanda trabalha em comunhão com a cromoterapia, o reiki, a radiestesia, apometria, a meditação, a terapia com pedras e cristais, o esoterismo, xamanismo, a fitoterapia e outras práticas.

 

Sabemos que existem terreiros com giras especiais, como a gira de medicina, que faz uso dessas  terapias. Outro aspecto inovador é a gira para animais de estimação. O que se observa que muitos terreiros inovam, introduzindo outras práticas.

 

Por essa razão vejo que a Umbanda é inovadora, que seus membros se encontram em constante evolução. No entanto, mesmo incorporando todas essas terapias, a Umbanda não perde a sua essência, a sua tradição, a sua ancestralidade.

 

A Umbanda é livre, é fraternidade, igualdade, é compreensão, é amor, é maternidade e caridade.

Esta é a maneira como hoje vejo a Umbanda. Muitos talvez não concordem comigo, mas é inegável que a nossa religião é nova e ainda está em fase de estruturação em diversos aspectos, sem perder os pontos básicos de sua doutrina. 

J) Citação final
Para finalizar este trabalho, citamos as palavras do sacerdote Alexandre Cumino, que de certa forma resume o que a Umbanda representa para a maioria dos seus filhos:
 
"A Umbanda é livre, é fraternidade, é igualdade, é compreensão, é amor, é maternidade e caridade”.

“A Umbanda é uma Religião e deve ensinar a todos que a procurem que o primeiro compromisso é consigo mesmo e a sua missão de crescer pelo estudo em si mesmo, na natureza, no seu ambiente e nos livros; pela disciplina pessoal, comunitária e ascensional; e pelo trabalho em benefício de seu crescimento espiritual e de seus irmãos de caminhada”.

“Umbanda é o encontro de todas as realidades mais paradoxais que fazem parte do que há de mais humano no ser humano. Por isso Umbanda é polêmica, é discriminada, é incompreendida e é a mais encantadora, fascinante e libertadora entre todas as religiões da atualidade. E a sua teologia não poderia ser diferente da sua pratica, sua teologia é livre e libertadora. É o fruto da inspiração, da transcendência e da mediunidade do umbandista."   (Alexandre Cumino, sacerdote)

 

 

K) Bibliografia e fontes pesquisadas

 

- Tipos de Umbanda – C.E.U. – Geração

- Orixá Mallet e as entidades do Sr. Zélio – Povo de Aruanda

- História da Umbanda – Alexandre Cumino – Madras Editora

- Registros de Umbanda – Henrique Guimaraes Dias

- Núcleo de Estudos Espirituais Mata Verde.

- Apostila do Curso de Sacerdócio de Umbanda – F.U.C.E.S.P.

- Cristão Confuso – Reflexões (site)

- Tenda Espírita Mirim

- Umbanda Sem Medo Volume  II – Claudio Zeus

- BIRMÂNIA, Patrícia. O que é Umbanda. São Paulo: Brasiliense, 1985.

- ALVES, Rubem. O que é religião. 9º ed. São Paulo: Brasiliense, 1986.

- Pró Síntese Cósmica – Rivas Neto

- BIRMAN, Patrícia. O que é Umbanda. Coleção Primeiros Passos. São Paulo: Abril        Cultural

- Azevedo, Janaina. Tudo que você precisa saber sobre a Umbanda

- Melani, Roberto Di Luca – Umbanda para a vida, 2008

- Nicolas Ramanush – Umbanda Diálogo Umbandista

 

 

Links pesquisados

 

- Religiões do mundo e Umbanda nos dias de hoje:

<http://religioesdomundo.comsaudebrasil.com/religioes-do   mundo/umbanda/umbanda-nos-dias-de-hoje#sthash.y6DvqslA.dpuf> Acesso em 25/08/2015

- Umbanda <http://PT.wikipedia.org/wiki/umbanda>. Acesso em 22/08/2015

- Povo de aruanda

<http://povodearuanda.wordpress.com/2008/07/24/centenário-da-umbanda>. Acesso em 22/08/2015

- Umbanda eu curto

<http://umbandaeucurto.com/umbanda-eu-curto/2015/umbanda/>.Acesso em 8/8/2015

- Umbanda do surgimento a atualidade.

<http://prezi.com/am2n8sf58ge6/umbanda-do-surgimento-a-atualidade>. Acesso em 26/08/2015

- Da doença a desordem

<http://www.cebrap.org.br/v2/files/upload/biblioteca_virtual/item_765/22_03_12_18D0_doenca_a_desordem%20.pdf>. Acesso em 15/08/2015

- Umbanda e terapias alternativas

<http://www.tecafumbanda.com.br/terapias-alternativas-/>. Acesso em 12/08/2015

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