15 principais orixás cultuados no candomblé

06/06/2014 00:10


A ideia de "orixás" se vincula intensamente com a questão da memória e do arquétipo.

Não existem compromissos de ordem moral que regulem as relações do fiel com a sociedade em que ele vive. A afirmação é do pesquisador Ronaldo Prandi (USP), e aponta que no candomblé, não interessa intensamente o que o fiel faça fora do terreiro, importa muito mais o que ele faz dentro. E para enfrentar as situações de conflito, o filho de santo vai contar com a força e proteção de uma divindade.


"Em princípio, um orixá é um antepassado da família, que às vezes se apondera da pessoa, então ela cai no santo, com se diz, sem fingir, numa possessão verdadeira", afirmava Pierre Verger, depois de viver por mais de 17 anos na África. A divindade é uma espécie de arquétipo, um modelo ideal do comportamento do fiel. Quando ocorre o momento da posse, do transe, revela-se o que está no inconsciente, passando a exprimir a verdadeira personalidade desse filho de santo.


"Eu nunca fiquei em transe, não surto nada não, mas acho bonito o ritual", afirma o ex-frei baiano Del Verdi, frequentador de terreiros há dois anos, durante visita ao Sítio de Pai Adão pela segunda vez. Verdi não descobriu por si só o seu orixá, contou com o apoio de pais de santos durante a leitura dos jogos de búzios. 


Depois do processo de iniciação e convívio, a relação com os santos se dará a partir de uma série de regras, tabus, oferendas e sacrifícios animais. "O Xangô do Nordeste (outro nome para o candomblé do Estado) dá ênfase ao sacrifício como forma de solucionar o problema universal da culpa, ao contrário das outras religiões do Brasil, que procurariam a solução por via ética", afirma o pesquisador Anilson Lins, antropólogo da UFPE, autoridade pernambucana no assunto, em sua obra "Xangô de Pernambuco".

 

Segundo ele, o sacrifício nessa religião se vincularia a uma noção existente entre os fieis de dívida e obrigação para com as divindades. E são muitos os deuses cultuados no candomblé. O número varia de nação para nação (espécie de subdivisão). Os orixás de tradição Ketu (cidade africana), também com fortes laços da cultura iorubá cultuam aproximadamente 15. Confira abaixo o quadro feito pelo JC Online vinculando as divindades aos seus principais cultos, obrigações, rituais e características.

 

EXU

 

O Brasil possui poucos terreiros com filhos iniciados para essa divindade. Exú é tão imprevisível que não dá tempo para se cumprir o que ele manda. É contraditório e afeito às maldades. É paradoxal por natureza. Não se traja de branco, pois esta é a cor predileta de Oxalá, divindade da criação, visto como seu opositor. Os filhos de Exu não devem carregar nada na cabeça, nem usar preto e vermelho.

OGUM

 

É a divindade da Guerra. Conquistador e obstinado. Nos terreiros há sempre uma representação material de Ogum ao pé de alguma árvore. Esse orixá não gosta de ser visto cara a cara. É conhecido nos mitos como divindade misógina, com características de amante viril e sexualmente potente com as mulheres. Não tolera mentiras e atribui aos faltantes forte represália.

OXÓSSI

 

Mais tranquilo que Ogum, irmão que o criou; Oxóssi é a divindade da caça e da abastança alimentar. Elegantes, desconfiados e provedores, aos filhos de Oxóssi está proibido o consumo de mel e das bebidas alcoólicas. O orixá não gosta que seus filhos caminhem pela noite sozinho ou em locais escuros.

OSSAIM

 

Irmão de Exu, Ogum e Oxóssi, Ossaim é patrono da vegetação da qual o povo de santo retira as folhas utilizadas nas funções litúrgicas e no preparo de porções mágicas  que curam doenças. Ossaim não gosta de viver sozinho. Aos seus filhos fica proibido assobiar nos terreiros. Povo de Ossaim não dança nem brinca se apoiando numa perna só, e nunca deve fantasiar-se cobrindo um dos olhos.

LOGUM EDÉ

 

Filho de Oxóssi e Oxum, é uma divindade considerada bissexual pelo povo de santo. Não se pode vestir Logum Edé somente de azul-turquesa, cor predileta de Oxóssi, sem a presença do amarelo de sua mãe Oxum. Seus filhos não podem mudar de ideia constantemente. Não devem brincar com espelhos, pois, como Narciso, o orixá aprecia 
ficar mirando seu corpo e beleza. 

OBALUAÊ

 

Deus da varíola e das doenças contagiosas. Obaluaê ou Omulu é conhecido como um divindade que mais tabus impõem ao povo de santo. Temido nos terreiros de Candomblé, seu nome dificilmente é pronunciado em vão. Seus filhos não devem se vestir com as cores preta, branca e vermelha conjuntamente. Preferencialmente, não devem visitar cemitérios, hospitais ou outros locais onde a morte está presente.

NANÃ

 

É tida, na África, a mais antiga divindade das águas. No Brasil é considerada como a mãe de Obaluaê, Oxumarê e Euá, e é a divindade relacionada à morte. Antigos pais de santo alegam que Nanã tem verdadeiro horror ao sexo masculino, e ela dificilmente tem filhos homens. Seus filhos são solitários, moralistas e rabugentos por natureza. Não devem vestir-se com as cores lilás, marrom e verde.

OXUMARÊ

 

Divindade do arco-íris, da chuva e da movimentação dos astros, Oxumarê é representado pela serpente. Alguns terreiros o veem como divindade hermafrodita, oferecendo-lhe sacrifícios de animais de ambos os sexos simultaneamente. Gosta de tecidos coloridos, mas detesta que o adornem com laços. Como tudo que se multiplica, Oxumarê gosta de búzios, símbolo da fertilidade e da riqueza.

EUÁ

 

Orixá da invisibilidade, conhecida também como deusa da morte. É a divindade da castidade. Euá não possui nenhum homem em transe, e são raros aqueles que nos candomblés brasileiros são iniciados para ela. Ela também é conhecida como a divindade da adivinhação.Por respeito à sua avó mística, que é Nanã, seus filhos não devem comer rã nem se vestir de roxo. 

XANGÔ

 

Deus do trovão, do fogo e da justiça. O assentamento de Xangô deve ser feito numa gamela de madeira, por determinação de Oxalá. Filhos de Xangô não comem feijão branco e nenhum tipo de fava, e não devem dormir debaixo de árvores, pois com isso instigaria o instinto suicida do orixá

IANSÃ

 

Orixá dos ventos e das tempestades, Iansã (ou Oiá) é também a divindade do fogo, assim como seu marido Xangô, a quem segundo alguns mitos, ela deu esse poder. Ela repudia o carneiro como oferenda. A seus filhos também está proibido o consumo de tartaruga e caranguejo, nem comidas temperadas com azeite de dendê. Não é permitido que seus filhos brinquem com fogo.

OBÁ

 

É uma das mulheres de Xangô, e dizem, a menos amada por ele. Enganada por Oxum, Obá decepou sua orelha para conquistar o amor de Xangô, conforme conta um mito. Por causa disto o povo de Obá não deve usar brincos. O metal dourado não deve estar presente nos adornos que seus filhos diretos usam. Eles não comem carneiro, ovo cru nem inhame.

OXUM

 

A mais amada das esposas de Xangô, Oxum é a divindade das águas doces e calmas, das fontes e dos regatos. Atribui-se a ela o princípio feminino da criação. No Brasil é conhecida como deusa do amor. Oxum odeia que lhe ofereçam quiabo. A deusa não permite que suas filhas entrem menstruadas em suas águas, podendo castigá-las com a esterilidade. 

IEMANJÁ

 

É a divindade do rio Ogum, localizado na Nigéria. Na América, para onde seu culto foi trazido pelos escravos de tradição iorubá, transformou-se em deusa do mar. Aqui é também considerada a mãe de todos os orixás. Ao lado de Oxalá, é a divindade da criação. É a mãe das cabeças humanas, e por isso proíbe seus filhos de permitirem que qualquer pessoa lhes passe a mão na cabeça. A deusa não permite que suas filhas mudem o tamanho e o formato dos seios, este seria o seu maior tabu.

OXALÁ

 

É incontestavelmente a maior e mais respeitada divindade. Deus da criação dos homens, é também divindade do pensamento, do silêncio, do frio e dos defeitos físicos. No templo, todos os seus fiéis devem vestir-se de branco em qualquer circunstância, e o terreiro deve ser um local silencioso com todas as instalações caiadas de branco. Os filhos de Oxalá guardam com castidade a sexta-feira, dia que é considerado consagrado à divindade.

Fonte: Livro "Lei do Santo - poder e conflito no Candomblé" (2010) de Armando Vallado (Usp).

 

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