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PostHeaderIcon Origem da Umbanda

PostDateIcon Sex, 16 de Abril de 2010 00:13 | PostAuthorIcon Author: FUCESP |

"Umbanda: Como ela realmente é?"


Para que você compreenda melhor a nossa religião, quer seja como médium, adepto ou simpatizante, é necessário conhecer qual a sua base de sustentação, em que cremos e como desenvolvemos as nossas práticas religiosas.

Primeiramente, saiba que religião é necessidade exclusiva do ser humano. Ela surge no plano humano, com codificação no plano divino e que a sustentará e individualizará em relação às outras de modo que seja compatível com a cultura, a crença e a evolução mental e espiritual dos seus seguidores. A sua criação e sustentação são sempre complexas, pois mobilizam toda uma hierarquia de Divindades que darão amparo e gerarão as condições para que ela possa se desenvolver, sem interferir nas demais, e congregar o maior número de adeptos. Assim aconteceu com todas as religiões existentes, ou que já existiram, como acontecerá com as que surgirão.

Face ao processo de evolução contínuo a que indivíduos e religiões estão sujeitos, observamos mudanças nos rituais religiosos sempre na tentativa de acompanhá-lo (processo evolucionista), porém sem modificar a sua base de sustentação, pois esta tem codificação divina. Quando isto não acontece em uma religião, começa um processo de êxodo (saída) e muitos dos seus seguidores começam a buscar por aquela que melhor se identifique com as suas características pessoais e religiosas, e que não conflitem com o processo permanente de evolução. Muitas religiões se extinguiram porque não mais atendiam as necessidades religiosas dos que então eram seus seguidores.

A base sustentadora da religião Umbanda está em Deus e nos Tronos Divinos, em que temos assentados os nossos amados Orixás, nome que nós damos as Divindades de Deus que regem e guardam as Qualidades-Mistério d’Ele e que influenciam todos os sentidos da nossa vida. São sentidos da nossa vida: o sentido da fé, o sentido do amor, o sentido do conhecimento, o sentido da Lei, o sentido da Justiça, o sentido da Evolução e o sentido da Geração.

A maior de nossas crenças é Deus, ser supremo pelo qual a Umbanda tem o seu motivo de existir e servir. Deus é único, criador e sustentador de tudo que existe e existirá, porque assim ele quer e assim ele pode. Não temos Deus somente para nós ou um Deus diferente, só para nós. Ele é único e de todos. Não somos os seus prediletos, pois somos iguais a todos os outros que Ele criou e, por conseqüência, não somos piores do que ninguém. Igualamo-nos, portanto, a todos que O amam. E por acreditar dessa forma, porque é assim que acontece, nossa religião não é melhor ou pior que qualquer outra e possibilita o mesmo que as outras possibilitam: um meio para que cada um religue-se a Ele e evolua espiritualmente.

História e sincretismo

As raízes da Umbanda são difusas. Entretanto, podemos afirmar que ela foi criada em 1908 pelo Médium Zélio Fernandino de Moraes, sob a influência do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Antes disso, já havia, de fato, o trabalho de guias (pretos velhos, caboclos, crianças, exus, etc), assim como religiões ou simples manifestações religiosas espontâneas cujos rituais envolviam incorporações e o louvor aos orixás. Entretanto, foi através de Zélio que organizou-se uma religião com rituais e contornos bem definidos à qual deu-se o nome de Umbanda.

Nesta época, não havia liberdade religiosa. Todas as religiões que apontavam semelhanças com rituais afros eram perseguidas, os terreiros destruídos e os praticantes presos.

Em 1945, José Álvares Pessoa, dirigente de uma das sete casas de Umbanda fundadas inicialmente pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, obteve junto ao Congresso Nacional a legalização da prática da Umbanda.

A partir dai, muitas tendas cujos rituais não seguiam o recomendado pelo fundador da religião, passaram a dizer-se umbandistas, de forma a fugir da perseguição policial. Foi aí que a religião começou a perder seus contornos bem definidos e a misturar-se com outros tipos de manifestações religiosas. De tal forma que hoje a Umbanda genuína é praticada em pouquíssimas casas.

Hoje, existem diversas ramificações onde podemos encontrar influências que utilizam a palavra Umbanda, como as indígenas (Umbanda de Caboclo), as africanas (Umbandomblé, Umbanda traçada) e diversas outras de cunho esotérico (Umbanda Esotérica, Umbanda Iniciática). Existe também a "Umbanda popular", onde encontraremos um pouco de cada coisa ou um cadinho de cada ancestralidade, onde o sincretismo (associação de santos católicos aos orixás africanos) é muito comum.

Mantém-se na Umbanda o sincretismo religioso com o catolicismo e os seus santos, assim como no antigo Candomblé dos escravos, por uma questão de tradição, pois antigamente fazia-se necessário como uma forma de tornar aceito o culto afro-brasileiro sem que fosse visto como algo estranho e desconhecido, e, portanto, perseguido e combatido.

Há discordância sobre as cores votivas de cada Orixá conforme o local do Brasil e a tradição seguida por seus seguidores. Da mesma forma quanto ao Santo sincretizado a cada Orixá.

Alguns exemplos:

  • Exu - Santo Antonio no Rio de janeiro;

  • Ogum - São Jorge OU Santo Antonio na Bahia;

  • Oxossi - São Sebastião; no Brasil, São Jorge na Bahia;

  • Xangô - São Jerônimo,São João Batista, São Miguel Arcanjo

  • Iemanjá - Nossa Senhora dos Navegantes;

  • Oxum - Nossa Senhora da Conceição;

  • Yansan - Santa Bárbara;

  • Omulu - São Roque;

  • Obá - Santa Rita de Cássia, Santa Joana d'Arc

  • Obaluaê - São Lázaro;

  • Nanã - Sant'Anna;

  • Egunitá - Santa Sara Kali,

  • Oxalá - Divino Jesus Cristo, o Ser Cristalino.

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