Vivência e experiência: duas palavras intimamente relacionadas com o processo evolutivo espiritual do ser humano.
Duas situações indissociavelmente ligadas à ação humana e indispensáveis para o desenvolvimento do processo existencial da própria humanidade, que nos comprova isso. De fato, basta prestarmos atenção ao rico e variado acervo cultural das sociedades ao longo dos tempos, para se verificar que o mesmo foi construído pela vivência e pela experiência humana.
Quem não tem sua história individual e social repleta de situações construídas pela vivência e pela experiência ? Por isso, cada um pode responder às seguintes interrogações:
- O que significa experiência ?
- Qual é o sentido de vivência ?
- Estas palavras são sinônimas ou existe alguma diferença no significado delas ?
Consultando o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, encontramos o seguinte:
- Experiência é:
Este último é o sentido que mais nos auxilia para um entendimento mais adequado do termo “experiência”.
- Vivência:
Comparando a significação desses dois termos, vemos que ambas dependem de um aprendizado.
Vão, de fato, exigir dos indivíduos:
Note-se, todavia, que a experiência é algo que supõe o processo natural do existir, que é a vivência concreta das ocorrências ou situações geradas pela própria vida. Por esse motivo, dizemos que a vivência tem mais valor que a experiência, pois seu ciclo de vida não termina nunca. À medida que o tempo passa, ela cresce, perpassando todos os momentos da vida dos indivíduos.
Já a experiência tem por base a capacidade que o indivíduo tem de direcionar a própria vivência enriquecendo-a com aportes técnicos específicos. A experiência está condicionada por estímulos externos. É algo que se relaciona com o tempo exposto à técnica, ao “know how”, à tecnologia existente ou ao aspecto operacional de uma atividade.
A experiência, portanto, tem uma dimensão limitada, e sua importância está em motivar os indivíduos a criarem situações para crescimento próprio e daqueles que lhe estão vizinhos, se tratar-se de condutor de grupos ou formador de opinião, como é o caso do sacerdote.
Há gente que confunde experiência com a quantidade de anos em que esteve exposto a determinada influência. Nós podemos questionar: em que essa pessoa contribuiu efetivamente para o crescimento próprio e das outras pessoas com as quais conviveu ? Se trabalhava em alguma instituição, de que modo contribuiu para o desenvolvimento e as mudanças que nela ocorreram ?
A mera quantidade de anos passados em tal ou tal outra situação não é critério satisfatório para se conceituar experiência.
Fazemos referência à questão da vivência como algo de suma importância que deve ter lugar entre as nossas preocupações. Reafirmamos que não nos referimos a um mero passar pela vida, mas ter consciência de que cada sucesso e cada fracasso ocorridos na nossa vida, quer particular, quer profissional, quer individual ou social, nos deixaram lições que nos fizeram crescer espiritualmente.
Como sacerdotes, é necessário que cada um tome consciência da importância de buscar um número significativo de experiências e sobretudo que estas tragam enriquecimento indubitável para a própria vivência. De fato, a função das experiências por que passamos é a de conquistar uma visão o mais abrangente possível da dimensão missionária da vivência sacerdotal.
Afirmamos acima, que os fracassos e os sucessos podem concorrer para a tessitura da vivência humana, contanto que tenham servido de aprendizagem fortalecedora do processo de desenvolvimento e evolução espirituais.
Os sucessos que já obtivemos ou que vierem a ocorrer não nos devem despertar aquela sensação de perfeição. O nosso “ego” pode convencer-nos de que em tudo que pusermos a mão acontece uma reviravolta para melhor e que, portanto, o sucesso será sempre nossa marca registrada em situações futuras.
Devemos acreditar em nosso valor e alimentar uma atitude sadia de ambição em buscar o sucesso, mas deve vir sempre acompanhada de autêntico sentimento de humildade, pois, nas ações que empreendemos, se a ambição é a força movente, a humildade é a bússola que aponta o norteamento.
Na maioria das vezes, a vivência é mais importante que a experiência. Também pelo fato que o valor da vivência não acaba e o da experiência, sim.
A vivência abre nossos ouvidos, a experiência tende a fechá-los diante da suposição de que sabemos tudo. Pela vivência aprendemos a entender nossos limites e nossas incompetências. A vivência enxerga a floresta, a experiência vê somente árvores.
Não esqueçamos. A existência humana é constituída pelo acúmulo de situações tecidas pelas vivências e experiências, é objeto de reflexão em qualquer credo religioso ou caminho espiritual. O ponto de partida dessa reflexão é o clássico questionamento da humanidade acerca do seu próprio destino: quem é o ser humano ? Donde ele veio ? Porque está nessa dimensão ? Para onde vai ?
Sejam quais forem as respostas, não podem prescindir do espólio espiritual acumulado pelas vivências e experiências individuais e sociais do próprio ser humano no suceder dos tempos. Fiquemos atentos, pois cada um de nós é, por indicação amorosa do Criador, o construtor do próprio destino.
Nossa tarefa é a conquista gradativa, meritória e esperançosa de uma vivência plena de evolução e luz em outra dimensão espiritual.
Eron – 17.04.2010
Guarulhos